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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Cachorrinhos vendem-se

Imagem "roubada" a lisboacity.olx.pt

Volto hoje ao tema da esperança, para vos trazer uma comovente história de amor que "roubei" (já são dois "roubos" no mesmo escrito) a um livro curiosíssimo da Lyon Edições com um título também curioso e apelativo, "O Pequeno Livro da Canja de Galinha para a Alma- Histórias para abrir o coração e reavivar o espírito". Então aqui vai a história contada por Dan Clark: "Um rapazinho apareceu por baixo do letreiro do dono da loja "Cachorrinhos vendem-se"

- Por quanto vai vender os cachorrinhos? - perguntou.

- Entre 30 a 50 dólares - respondeu o dono da loja.

- Tenho 2 dólares e 37 cêntimos disse o rapazinho. Posso vê-los?

O dono da loja sorriu e assobiou, e do canil saíram cinco bolinhas de pelo. Um dos cachorrinhos ia ficando bastante para trás. O rapazinho distinguiu imediatamente o cachorrinho atrasado e que coxeava e disse:

- O que é que tem aquele cachorrinho?

O dono da loja explicou que ele não tinha o encaixe da anca e que seria sempre coxo. O rapazinho ficou excitado: - É esse cachorrinho que eu quero comprar.

O dono da loja comentou: - Não, não queres comprar esse cachorrinho. Se o quiseres, dou-to.

O rapazinho ficou muito aborrecido. Olhou bem nos olhos o dono da loja e disse: - Não quero que mo dê. Esse cachorrinho vale cada cêntimo, tal como os outros e vou pagar o preço total. Vou dar-lhe 2 dólares e 37 cêntimos e 50 cêntimos por mês até o ter pago.

O dono da loja insistiu: - Não vais querer comprar este cãozinho. Nunca vai conseguir correr e saltar contigo como os outros cãezinhos.

A isto, o rapaz respondeu, baixando-se, e levantando a perna da calça, mostrou a perna esquerda muito torta e defeituosa, presa por um grande aro de metal. Olhou para o dono da loja e respondeu suavemente:

- Bom, eu também não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que o compreenda".

Bonita história e excelente lição de vida.

Sem falsa moral, que bom seria termos exemplos destes todos os dias. Talvez, quem sabe, construíssemos um mundo melhor.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Um dia destes...

Hoje apetece-me falar de esperança, e trazer aqui um excelente poema de Egito Gonçalves que tão bem nos fala dela. E a ideia (o apetite) surgiu depois de ter assistido a um extraordinário jogo de futebol (desculpem lá os carantonhas que não gostam, mas por uma vez teve que ser...) que a equipa do meu clube (pois, pois, o F.C.PORTO) disputou em Londres com um dos mais poderosos clubes do mundo. Aqui, a esperança mantém-se. Mas por outro lado é preciso que a esperança renasça no quotidiano das nossas vidas. Que renasça nos operários da fábrica que não sabemos se vai fechar; que renasça nos operários da fábrica que já fechou, nos desempregados à procura de emprego; nas famílias a quem a doença roubou um ente querido; no estudante que por uma qualquer razão não teve êxito neste ano de estudo, no estudante que por não ter média teve que fazer um compasso de espera, ou que teve de entrar num curso que não era o desejado. No actor (ou actriz) a quem ainda não surgiu, ou surgiu pouco, a oportunidade de agarrar um trabalho. E que a esperança renasça em tantas, tantas outras situações que se mencionadas tornariam este escrito bastante mais extenso do que já vai estando.
Por fim, se queremos que a esperança renasça em tempo de crise, é preciso que todos, mas todos, (e este todos, não deveria ser necessário lembrá-lo, quer dizer patrões, empregados, políticos, governantes, etc.) dêmos as mãos e rememos certos e para o mesmo lado. E então, um dia destes beberemos todos a cerveja da alegria e da amizade, e o dia seguinte estará sempre aberto. Que assim se cumpra e assim seja.



MELOPEIA PARA UM FUTURO TALVEZ SIM

Um dia destes abrir-se-ão as portas
e entraremos todos na cidade
Um dia destes teremos um domingo
e haverá água límpida e potável

Um dia destes contaremos contos
de terrores antigos de perseguições
e poremos os verbos no passado
felizes de escaparmos ao massacre

Um dia destes o silêncio quebrará
para sair uma canção de amor
Um dia destes a noite abrir-se-á
e tu serás o rosto descoberto

Um dia destes poremos no zoológico
os últimos hipopótamos da cidade
e cortaremos o resto dos tentáculos
que nos mantêm à mercê do grande polvo

Um dia destes as palavras serão públicas
e não escreverão penas de morte
não servirão para mentir atraiçoar
para ferir os amigos ou matá-los

Um dia destes construiremos um museu
com os retratos do medo e da tortura
do diabo do crime da miséria
na galeria dos antepassados

Um dia destes teremos tempo de juntar
os bocados de nós próprios e colá-los
Um dia destes não seremos obrigados
a sempre recusar de mão fechada

Um dia destes tu serás tangível
e os meus dedos poderão desapertar-te
Um dia destes os quatro cavaleiros
estarão na cadeia sem cavalos

Um dia destes não será com juras
clandestinas que a esperança se fará
Um dia destes a fome não poderá
comprar de novo lâminas de barba

Um dia destes abrir-se-ão as portas
e dançaremos nas ruas da cidade
Um dia destes beberemos todos
a cerveja da alegria e da amizade

Um dia destes secarão as lágrimas
e teremos cartas vindas da Europa
Um dia destes a vida será fértil
e o dia seguinte estará sempre aberto

Meus amigos meu amor
Um dia destes...

Egito Gonçalves