
foto "roubada" com a devida vénia, a flaviasilva.wordpress.com
Há dias, quando procurava alguns poemas, e tentava dar uma arrumação às várias centenas de cópias de poemas e textos que existem cá por casa, fiquei agradavelmente surpreendido, pois encontrei um texto-poema, ou se se quiser, um poema em prosa, com o qual tinha perdido o contacto. Devo dizer, que para mim, é um excelente poema, de que gosto muito. Por dois motivos, um deles por isso mesmo, por ser excelente, e o outro, porque em 1990 me permitiu “brilhar” num curso de teatro do Inatel, realizado na Costa da Caparica. Explico: num exercício de dicção e interpretação foi dado esse texto aos vinte alunos do curso. No final das leituras, a minha interpretação foi considerada exemplar. Fiquei inchado, claro! Sei também que o poema agradou à minha amiga, a poetisa Maria Mamede, que inspirando-se nele escreveu, como é seu hábito, um bonito poema. Não me lembro do teu poema, Maria, mas espero que mo relembres. Então, para saciar a vossa curiosidade, carantonhas, aqui fica o poema. Infelizmente não sei quem é o autor.
Há dias em que te amo menos. Talvez, porque nesses dias, não vestes uma blusa verde. Talvez não seja isso e sim o facto de não levantares os braços e não sorrires abertamente ao declamares os versos que te fiz. Há, de facto, dias em que te amo menos. Durante tempo quis evitar pensar as razões porque isso me feria especialmente nos dias em que não mordes as palavras – como costumas morder as minhas mãos. A pouco e pouco tenho aceite amar-te menos alguns dias para saber os que te amo mais.
Há dias em que te amo menos. São iguais a todos os dias só que passam devagar e me deixam um travo amargo na garganta. Há também os outros dias e são esses que aproveito para viver.