Vitorino Nemésio (os cotas lembram-se dele no programa que protagonizou na televisão durante alguns anos, «Charlas Linguísticas», se não me engano) é o autor do poema de hoje.
NATAL CHIQUE
Percorro o dia, que esmorece,
nas ruas cheias de rumor;
minha alma vã desaparece
na muita pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
dos que anunciam no jornal;
mas houve um etéreo desarranjo
e o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
a quem dão coroas no meio disto,
um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.
Carantonha- s.f.-contorsão do rosto, esgar, máscara, cara feia, carranca, caraça. * Em criança, na região de onde sou natural, e onde então vivia, quando se brincava ao carnaval, o artefacto que nos ocultava o rosto, era a carantonha porque por norma era coisa feia. O tempo passa, a evolução acontece, e hoje, pelo menos quando jogamos ao carnaval, usamos uma máscara. Ou será que não a usamos todos os dias?
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domingo, 5 de dezembro de 2010
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