Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 17 de novembro de 2009


De vez em quando, vou almoçar com o meu colega e amigo Nelson Ferraz. Por vezes, junto do seu local de trabalho topamos com uma feira do livro. Há uns tempos, quando olhávamos para os livros expostos, o meu amigo chamou-me a atenção para Aventuras de João Sem Medo do José Gomes Ferreira, que salvo erro, tinha começado a reler, e para uma fantástica citação, que era a seguinte:

É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Expliquemos: O João era um rapaz "que vivia em Chora-Que-Logo-Bebes, exígua aldeia aninhada perto do Muro construído em redor da Floresta Branca onde os homens, perdidos dos enigmas da infância haviam instalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos."
A floresta por trás do muro era -é - o sítio onde se instalaram os medos, os temores, os fantasmas (não serão estes também, medos? Fantasmas sem medo só conheço o Gaspar O Fantasminha) dos chora-que-logo-bebensses. Mas também as fantasias -há lá fadas, magos, árvores que andam e falam, e outros. Mas como medos e fantasias eram desconhecidas "dos infelizes chorincas que se lastimavam de manhã até à noite" ninguém tinha coragem sequer de espreitar por cima do muro, quanto mais de o ultrapassar para "combater bichos de sete bocas,gigantes de cinco braços ou dragões de duas goelas". Foi o que se propôs fazer, e assim fez, o nosso João, "farto de tanta choraminguice e de tanta miséria". E com tanta pressa o fez que nem leu o palavreado do letreiro até ao fim: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR. E se houver alguém que não ande espantado de existir, e queira saber toda a história, é aconselhável que leia o romance. É o que eu vou fazer, reler o livro, do qual já não lembro muita coisa. Se o fizerem, que vos aproveite.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Preguiça


Voltei!! Eu sei que os quatro inefáveis carantonhas que me seguem já tinham estranhado a minha ausência. Também sei que eleições, novo governo, (talvez fosse mais aconselhável um governo novo, mas que lhe havemos de fazer!), corrupção, subornos de vária ordem, julgamentos que nunca mais acabam, outros que nunca mais se iniciam, assassinatos, enfim, o lote é demasiado extenso, tudo isso daria para as mais variadas abordagens aqui. Mas felizmente (já vão ver porque digo felizmente), nada disso me entusiasmou. Explico porquê: praí há um mês, passando por uma dessas feiras do livro que agora se fazem em qualquer canto, encontrei um livro fantástico. O livro objecto é um dois em um, quer dizer, são dois livros-texto, num só livro-objecto. A gente está a ler de um lado, e do outro, o texto está de pernas para o ar. Perceberam?
Perguntarão: E o que tem isso a ver com ausência tão prolongada? Tem tudo. É que de um lado (o que ando a ler devagar, devagarinho) o tema aborda um assunto que suponho caro a muita gente - O Direito à Preguiça. Do outro, por enquanto de pernas para o ar, A Arte da Sesta. E assim vou preguiçando e sestando. E embora saiba - eu, que tive educação católica, mas não pratico - que a preguiça é um pecado capital, tenho que aproveitar. Digam lá caríssimos se não tenho pelo menos duas razões para não vos aborrecer. Agora vou preguiçar mais um pouco pois a sesta já se foi.