Ainda o Dia Internacinal da Mulher. Não resisti em ir "roubar" ao blog "Hoje há conquilhas Amanhã não sabemos" este post magnífico. Parabéns.
As misses de Evo Morales são melhores do que as de Berlusconi?
Quando Berlusconi apresentou candidatas a miss qualquer coisa ou ex-misses nas listas do seu partido, quer nas eleições europeias, quer, agora, nas regionais italianas de 28 e 29 de Março (uma concorrente a miss Itália integra as listas, bem como uma striper que é agora dentista), meio mundo, sobretudo à esquerda, veio dizer que «é difícil levar Berlusconi a sério» ou fala em «falta de respeito». Jéssica Jordan, que foi miss Bolívia, em 2006, e candidata a miss Universo, em 2007, é agora a candidata do partido de Evo Morales a governadora da região Beni. E promete, caso seja eleita, levar os presos a trabalhar nas minas sem direito a salário, o que mereceu um elogio de Morales. Ainda não ouvi nenhuma voz a desprestigiar a escolha do presidente da Bolívia, pelo facto da sua candidata ser miss, de onde se deve concluir que miss que apoia a «esquerda» é inteligente, culta, preparada para o exercício da nobre função política; miss que apoia a «direita» é burra, analfabeta, mulher «da vida». É este o raciocínio, não é?
(na foto: Jéssica Jordan, miss Bolívia, 2006).
Carantonha- s.f.-contorsão do rosto, esgar, máscara, cara feia, carranca, caraça. * Em criança, na região de onde sou natural, e onde então vivia, quando se brincava ao carnaval, o artefacto que nos ocultava o rosto, era a carantonha porque por norma era coisa feia. O tempo passa, a evolução acontece, e hoje, pelo menos quando jogamos ao carnaval, usamos uma máscara. Ou será que não a usamos todos os dias?
Mostrar mensagens com a etiqueta Dia Internacional da Mulher. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dia Internacional da Mulher. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 8 de março de 2010
Mulher I
No Dia Internacional da Mulher, alguma poesia de mulheres, ou sobre mulheres.
O primeiro é um poema de Vinicius de Moraes
POEMA PARA TODAS AS MULHERES
No teu branco seio eu choro.
Minhas lágrimas descem pelo teu ventre
E se embebedam do perfume do teu sexo.
Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado
Confuso, criança para te conter!
Oh, não feches os teus braços sobre a minha tristeza, não!
Ah, não abandones a tua boca à minha inocência, não!
Homem sou belo
Macho sou forte, poeta sou altíssimo
E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas.
Ai! teus cabelos recendem à flor da murta
Melhor seria morrer ou ver-te morta
E nunca, nunca poder-te tocar!
Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços
Anjo, sinto o calor do vento nas espumas
Passarinho, sinto o ninho nos teus pêlos...
Correi, correi, lágrimas saudosas
Afogai-me, tirai-me deste tempo
Levai-me para o campo das estrelas
Entregai-me depressa à lua cheia
Dai-me o poder vagaroso do soneto,dai-me a iluminação das odes, dai-me o cântico dos cânticos
Que eu não posso mais, ai!
Que esta mulher me devora!
Que eu quero fugir, quero a minha mãezinha, quero o colo de Nossa Senhora!
Um poema da poetisa Maria Mamede:
Sempre que te imaginava
Cobria-te de estrelas
E via-te
Cavalgando um cavalo de vento
Que de crinas soltas, negras como a noite,
Desaparecia no espaço
Voando até outras galáxias...
Agora, que te conheço,
Cubro-te de Sol,
E coroo-te de miosótis!
(Azul e oiro sempre formaram uma combinação perfeita).
Claro que o nosso romance há-de acabar;
Nessa altura, voltarei a cobrir-te de estrelas,
Mas levarei comigo os miosótis!...
Da poetisa angolana, Alda Lara:
TRAMPOLIM
Mãe:
Deixa-me saltar no Trampolim...
Deixa-me ser como os outros,
Gritar,
Empurrar,
Saltar nos trampolins que há por aí!...
Mãe:
Não me prendas mais...
Já que não posso ser acrobata,
Serei palhaço
A fingir que também
Sou capaz,
De dar saltos no espaço!...
...Mas ficar, não!
Deixa-me tentar...
Deixa-me saltar no trampolim!...
Por fim, um poema, ou texto poético, se quiserem, de Nelson Ferraz:
por ti, a alma do ventre sobrevive a pedaços de tempo que são notícia
e a vida ainda não se magoa nas arestas dos olhos que são muitos
por ti, inventou-se um culto que tem seios como searas
e colos como cais
e ternura como árvores
por ti, há pessoas com óculos,
na televisão, nos jornais e nas rádios, só para dizer:
- Hoje é o Dia Internacional da Mulher!
eu sei que tu não cabes num dia inteiro
mas, por ti, não digo nada.
Etiquetas:
Alda Lara;Nelson Ferraz,
Dia Internacional da Mulher,
Maria Mamede,
Poesia,
Vinicius
Subscrever:
Mensagens (Atom)

