Em 27 de Novembro de 1807, com as tropas da Iª Invasão francesa já dentro de Portugal, e numa jogada de antecipação da corte, o príncipe regente D. João, que viria a ser coroado rei como D. João VI, e a restante família real, "fogem" para o Brasil. Instalou-se no Rio de Janeiro, tornando-a a capital do que vem a ser sonhado como Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. D. João VI era o segundo filho de D. Maria I. Estava habituado a entregar-se à caça e a "percorrer os conventos", totalmente despreocupado com os negócios públicos, que se lhe tornavam indiferentes. Assumiu a regência do reino em 1792, por sua mãe, a rainha D. Maria I, ter enlouquecido. Casou com D. Carlota Joaquina de Bourbon, filha de Carlos IV de Espanha por procuração - a princesa tinha então 10 anos - em 1785, mas o casamento só foi consumado em 1790.
O poeta brasileiro, Raimundo Calado, escreveu um poema, "D. João VI e a mulata", com o qual caracteriza a faceta do rei mulherengo e gordo. Aqui fica:
D. JOÃO VI E A MULATA
Quando a corte de D. João VI
chegou a Paquetá
tudo servia de pretexto
para sussurrar e criticar
certa mulata que havia lá!
Dizem que ela era um perigo
que ela era uma tentação.
E que um marquês de nome antigo
desdenhava do rei,
não cumpria a sua lei,
para ser só dela o cortesão...
Mas quando alguém o censurasse
pedindo ao rei que a exilasse
pelo mal que fazia,
D. João VI trincava uma coxinha
de frango ou de galinha
e sempre respondia:
- Já lhes disse que aqui em Paquetá
eu sigo as leis da corte de Lisboa.
- E não me digam que a mulata é má
porque eu decreto que a mulata é boa.
- E não me digam que a mulata é má
pois eu decreto que a mulata é boa.
Certa noite muito escura
a moça se assustou
vendo surgir uma figura
gorda a ofegar
que sem falar
nos gordos braços logo a apertou.
Ela sentiu-se muito aflita
como dizer que não
Até na treva era bonita.
E lá fez de conta
que ficava tonta
sem saber quem era seu D. João.
Mas quando alguém o censurasse
pedindo ao rei que a exilasse
pelo mal que fazia,
D. João VI trincava uma coxinha
de frango ou de galinha
e sempre respondia:
Já lhes disse que aqui em Paquetá
eu sigo as leis da corte de Lisboa
E não me digam que a mulata é má
porque eu já sei que a mulata é boa.
E não me digam que a mulata é má
porque eu já sei que a mulata é boa.
Carantonhas, bom começo de fim de semana, e se puderem fazê-lo prolongar-se, aproveitem-no bem.
Carantonha- s.f.-contorsão do rosto, esgar, máscara, cara feia, carranca, caraça. * Em criança, na região de onde sou natural, e onde então vivia, quando se brincava ao carnaval, o artefacto que nos ocultava o rosto, era a carantonha porque por norma era coisa feia. O tempo passa, a evolução acontece, e hoje, pelo menos quando jogamos ao carnaval, usamos uma máscara. Ou será que não a usamos todos os dias?
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Ir para o maneta

No passado domingo foi lembrado no Porto, o 200º aniversário do terrível desastre da Ponte das Barcas, em que morreram afogados centenas de portuenses, fala-se em cerca de cinco mil, quando fugiam das tropas francesas, que invadiam a cidade. Esta era a 2ª invasão, comandada pelo marechal Soult. Estas invasões deram origem a várias expressões que entraram no domínio popular, e que ainda hoje se mantêm. Ora, um dos comandantes das tropas francesas da primeira invasão comandada pelo general Junot, era um general de nome Louis Loison, homem cruel, autor de numerosas pilhagens e actos violentos, que torturou e matou numerosas pessoas. Este general tivera em tempos um acidente de caça que lhe decepou o braço esquerdo, sendo por isso conhecido pelo maneta. Quando, por exemplo, se queria assustar uma criança que se portasse mal, dizia-se-lhe: -"Olha que vais para o maneta!". No seu significado original queria dizer ir para a tortura ou para a morte. Hoje em dia, "ir para o maneta", quer dizer dar cabo de alguém ou de alguma coisa; destruir; estragar-se; perder-se e não ter recuperação. Depois disto, espero que não me mandem para o maneta!
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sexta-feira, 27 de março de 2009
D. João VI, pintura de Domingos SequeiraAinda com a memória fresca do post anterior, e ao ler no jornal a notícia da comemoração da reconquista de Chaves aos franceses, durante as Invasões Francesas, lembrei-me de um outro garanhão, este, humano. Falo do nosso D. João VI. Aquando da primeira invasão, o nosso rei, ainda como príncipe regente, cargo que assumiu por doença (loucura) de sua mãe D. Maria I, foi aconselhado a refugiar-se no Brasil. E assim fez. Estabeleceu-se na ilha de Paquetá, na baía de Guanabara, frente ao Rio de Janeiro. Dizem os historiadores que D.João era assumidamente um garanhão e um bom comedor. Gostava imenso de comer comida e… Só legítimos, teve cinco filhas e quatro filhos. Dos bastardos não reza a história. Mas dizem as más línguas que quatro não eram dele. Não admira, pois a digníssima esposa, D. Carlota Joaquina, além de terrível manipuladora era horrenda, dizem, - e talvez por isso - uma insaciável ninfomaníaca. Mas isso são outras histórias. Voltemos ao nosso D. João e à sua fama de mulherengo, bem retratada no seguinte poema do poeta brasileiro Raimundo Calado:
D.JOÃO VI E A MULATA
Quando a corte de D. João VI
chegou a Paquetá
tudo servia de pretexto
para sussurrar e criticar
certa mulata que havia lá!
Dizem que ela era um perigo
que ela era uma tentação.
E que um marquês de nome antigo
desdenhava do rei
não cumpria a sua lei
para ser só dela o cortesão…
Mas quando alguém o censurasse
pedindo ao rei que a exilasse
pelo mal que fazia,
D. João VI trincava uma coxinha
de frango ou de galinha
e sempre respondia:
- Já lhes disse que aqui em Paquetá
eu sigo as leis da corte de Lisboa.
E não me digam que a mulata é má
porque eu decreto que a mulata é boa.
- E não me digam que a mulata é má
pois eu decreto que a mulata é boa.
Certa noite muito escura
a moça se assustou
vendo surgir uma figura
gorda a ofegar
que sem falar
nos gordos braços logo a apertou.
Ela sentiu-se muito aflita
como dizer que não
até na treva era bonita.
E lá fez de conta
que ficava tonta
sem saber quem era seu D. João.
Mas quando alguém o censurasse
pedindo ao rei que a exilasse
pelo mal que fazia,
D. João VI trincava uma coxinha
de frango ou de galinha
e sempre respondia:
- Já lhes disse que aqui em Paquetá
eu sigo as leis da corte de Lisboa.
E não me digam que a mulata é má
porque eu já sei que a mulata é boa.
E não me digam que a mulata é má
Porque eu já sei que a mulata é boa.
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