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domingo, 15 de maio de 2011

Sobre o meu nascimento e não só

Esta casa centenária da minha aldeia, conhecida inicialmente pela casa do senhor Graça, seu primeiro proprietário, está na origem do nascimento deste vosso amigo carantonha. Eu explico: da sua Albergaria-a-Velha natal, chegou para ser encarregado da obra, aquele que seria o meu avô materno, António Mendes. Conheceu a avó Aldina (saudosa e extremosa avó), namorou, casou e nasceram seis filhos, a segunda das quais é a minha mãe, ainda jovem e activa nos seus noventa anos. Dois rapazes e quatro raparigas , com nascimentos intervalados com a ida do meu avô até França, primeiro integrado no CEP (Corpo Expedicionário Português) que participou na 1ª Grande Guerra, e depois em trabalho.
Mas voltemos à casa. Depois do desaparecimento do senhor Graça, que já não conheci, a casa passou a ser conhecida  pela casa das Meninas do Graça, três irmãs solteironas, que viviam para os sobrinhos, filhos da única irmã que casou. Na casa, onde havia gatos bem estimados, com os sobrinhos brinquei, preparei algumas lições, aprendi muita coisa, e mais tarde ajudei na chamada campanha de educação de adultos. Estando eu já na cidade, a casa assistiu ao casamento serôdio da irmã mais velha. As outras duas acompanharam-na e a vida na casa cessou. Até hà relativamente pouco tempo, pois foi comprada por alguém que não era natural da aldeia, que a reabilitou e que a habita. Não acredito em fantasma, suponho que o actual proprietário também não, mas sou levado a pensar que por lá ainda andará o espírito do meu avô.
Para ilustrar este texto -detesto o temo post ou posta- (esta então faz-me crescer água na boca ao lembrar-me a posta à mirandesa), acho que ´bem a propósito a Anedota da Adilia Lopes que cito de memória:

Duas irmãs solteironas 
vivem juntas com uma gata
que nunca deixam sair.
Uma das irmãs casa.
A outra pede que lhe mande uma carta
a contar pormenorizadamente 
a noite de núpcias.
Ela manda-lhe um telegrama:
-"Mana, solta a gata"

Carantonhas, uma boa semana de trabalho ou de ócio. 

terça-feira, 18 de maio de 2010

Finalmente

Até que enfim (não, não é enfim sós), e para contentamento de muita gente, a lei foi promulgada. Já podem ter a liberdade de casar. De ter muitos filhos não sei! Segundo uma deputada entrevistada, a promulgação "deixou-nos muito felizes". Depois de ouvir isto, uma enormíssima dúvida me inquieta: para que duas pessoas sejam felizes juntas (e aqui não importa que sejam homo ou hetero), é necessário que se casem (uma com a outra, é óbvio)?

Estava para acabar este escrito, e de repente lembrei-me de uma história que se passou numa renomada empresa da cidade, cujo administrador conheço. Passou-se no tempo de seu pai, de quem fui amigo. Na empresa trabalhava uma senhora de pouca instrução, mas de muito saber. Vivia maritalmente com um homem de quem tinha, salvo erro, seis filhos. Um dos directores, católico, periodicamente, instava-a dizendo-lhe mais ou menos assim: - ó senhora fulana, porque é que vocês não casam. Os vossos filhos já são adultos e não se devem sentir bem com a situação..." Em dada altura, já farta de ser interpelada, respondeu asssim: -Ó senhor doutor, Deus disse multiplicai-vos e não casai-vos!"

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Peúgas


Hoje, ao passar os olhos sobre as notícias na comunicação social, deparei com uma que, por associação de ideias, me lembrou um texto de Jorge de Sena, escrito na fase de estadia nos EEUU.

A notícia referia-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.O Governo propõe-se apresentar o diploma, mas vai também providenciar alterações na lei da adopção, de forma a que não seja possível por casais homossexuais. A notícia resumida. Agora a história de Jorge de Sena, citada de memória, mas garanto que com as palavrinhas todas. Só a pontuação pede diferir. É, de resto, uma história inofensiva. Cá vai:


"Depois que acabara o party em casa do sujeito que o dera, e foram saindo todos, uma das convidadas que se esquecera (ocasionalmente?) dos cigarros, voltou atrás a buscá-los.

Abriu a porta e recuou pasmada.

O dono da casa e um dos convidados, estavam estendidos no tapete, nus, e de peúgas,

Até hoje, uma só pergunta a inquieta: - Porquê de peúgas?"


E por aqui me fico. Que vos aproveite...