Do jornal Público de hoje transcrevo uma declaração de Mário Crespo (até o nome não lhe assenta, pois "crespo" é um tipo de cabelo encarapinhado, coisa que ele não tem), na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, da Assembleia da República: - «Tenho uma série de fontes inequívocas - e de resto nunca foi desmentido - que me dizem ter sido dito (pelo primeiro ministro) que eu seria um problema a ser resolvido».
Chegamos à triste conclusão que agora não foi só uma senhora que ouviu, mas várias pessoas.
Pelos vistos, o PM, agora, quando se desloca aos restaurantes, para que ouçam bem as suas conversas, usa megafone.
É preciso ter desfaçatez!!
Sobre isto, não resisto, com a devida vénia ao JN e ao jornalista Manuel António Pina, de deixar aqui a sua crónica de há dois dias:
"Os bárbaros entre nós"
"Talvez porque tenha memória ou porque, na infância, tenha lido a história do menino e do lobo, não me impressionam as gritarias do género “Censura! Censura!” que de vez em quando agitam a política e a comunicação social portuguesas.
Também não é o facto de nunca ter sido aqui impedido de escrever o que quer que seja (mais do que uma vez tive que ser eu próprio a impedir-me de fazê-lo…), que me leva a não levar à letra o clamor que em certos meios por estes dias se levanta de que não haverá “liberdade de expressão” em Portugal. Soubesse de razão certa (e justa) de uma só voz amordaçada e sentir-me-ia também amordaçado. A liberdade é uma flor frágil e está sempre em risco. Mas é uma daquelas palavras que, segundo Ionesco, devem ser ditas de modo a que não caia em ouvidos de surdos. Há coisas que se dizem nos cafés, entre amigos, ou numa tasca, mas que, por motivos de bom senso, e de bom gosto, é intolerável pretender publicar num jornal, invocando a liberdade. Talvez os bárbaros estejam às portas da cidade, pois estão sempre. Mas também estão (estão sempre) dentro das muralhas."