Nos telejornais de hoje, dos nossos canais televisivos, as condições metriológicas continuam a ser adversas. No entretanto, para se vingarem desta iliteracia militante, as condições meteorológicas pedem licença à meteorologia e regorgitam cada vez mais neve, e ó suprema vingança, gelo e ainda mais frio. Valha-nos São Pancrácio...
(Fotografia da cidade da Guarda, com neve)
E então, carantonhas com e sem frio, já ouviram falar de meteoros? Pois é daí, caros madraços, que vem a meteorologia, do grego meteóros, "que está no alto, elevado nos ares", do prefixo metá "além de" e do verbo aeírein "levantar". Usava-se na forma neutra plural (metéora) para designar os fenómenos que acontecem na atmosfera (ex: os ventos, o arco-iris, os relâmpagos e as estrelas cadentes). São estes significados que a palavra tem no português já desde o séc. XVII. Daí que a ciência que estuda os fenómenos atmosféricos para prever o tempo, se chame meteorologia
Carantonha- s.f.-contorsão do rosto, esgar, máscara, cara feia, carranca, caraça. * Em criança, na região de onde sou natural, e onde então vivia, quando se brincava ao carnaval, o artefacto que nos ocultava o rosto, era a carantonha porque por norma era coisa feia. O tempo passa, a evolução acontece, e hoje, pelo menos quando jogamos ao carnaval, usamos uma máscara. Ou será que não a usamos todos os dias?
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Poema para acabar o dia (com neve)
A neve chegou. Em força. De certo para ficar. E para falarmos dela. De certo para proporcinar bonitos postais. A neve, que para os poetas é também uma fonte de inspiração. E quando lá fora o termómetro marca 8º, para acabar o dia, aqui fica o conhecido poema de Augusto Gil, Balada da Neve.
BALADA DA NEVE
Batem leve, levemente,
Como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é certamente
E a chuva não bate assim.
É talvez a ventania;
Mas há pouco, há poucochinho,
Nem uma agulha bulia
Na quieta melancolia
Dos pinheiros do caminho...,
Quem bate assim levemente,
Com tão estranha leveza
Que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
Nem é vento, com certeza.
Fui ver. A neve caía
Do azul cinzento do céu,
Branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!
Olho-a através da vidraça
Pôs tudo da cor do linho.
Pasa gente e, quando passa,
Os passos imprime e traça
Na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
Da pobre gente que avança
E noto, por entre os mais,
Os traços miniaturais
Duns pèzitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
A neve deixa inda vê-los
Primeiro bem definidos,
- Depois em sulcos compridos,
Porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
Sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
Porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza
Uma funda turbação
Entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
- E cai no meu coração.
E para acabar, em jeito de desafio, deixo uma sugestão: tentem ler o poema (vá lá, só a primeira estrofe, para não se tornar muito dificil) só com vogais, sem consoantes. Brrr, tá frio!
BALADA DA NEVE
Batem leve, levemente,
Como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é certamente
E a chuva não bate assim.
É talvez a ventania;
Mas há pouco, há poucochinho,
Nem uma agulha bulia
Na quieta melancolia
Dos pinheiros do caminho...,
Quem bate assim levemente,
Com tão estranha leveza
Que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
Nem é vento, com certeza.
Fui ver. A neve caía
Do azul cinzento do céu,
Branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!
Olho-a através da vidraça
Pôs tudo da cor do linho.
Pasa gente e, quando passa,
Os passos imprime e traça
Na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
Da pobre gente que avança
E noto, por entre os mais,
Os traços miniaturais
Duns pèzitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
A neve deixa inda vê-los
Primeiro bem definidos,
- Depois em sulcos compridos,
Porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
Sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
Porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza
Uma funda turbação
Entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
- E cai no meu coração.
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