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domingo, 11 de setembro de 2011

Mundo deplorável e desprezível

Na era moderna houve, sem dúvida, dois acontecimentos que mudaram o mundo. Refiro-me ao aparecimento da televisão, a "caixa que mudou o mundo", e ao 11 de Setembro de 2001, o mais recente, um crime hediondo, inqualificável. Passam hoje dez anos sobre o infausto acontecimento e parece-nos que foi ontem. Ainda está bem vivo na nossa memória. Durante quantos anos mais? Questiono-me, porque temos memória curta, pois já nos esquecemos (e aqui refiro-me concretamente à "caixa que mudou o mundo" e aos restantes media) que existiu também o 11 de setembro de 1973, no Chile, um  golpe fascista que, com a colaboração dos EE.UU .derrubou o presidente comunista Salvador Allende. E sucederam-se perseguições e milhares de assassinatos (nestes,incluídos inúmeros fuzilamentos). Seria bom que não o esquecessemos.
Por associação de ideias lembrei-me dos Fuzilamentos de 3 de maio, do pintor espanhol Francisco de Goya e do fantástico poema de Jorge de Sena, a propósito deste quadro - Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya.
Como é um poema extenso fica para ilustrar um outro texto.
Hoje deixo aqui um pequeno poema de Carlos Pinhão, mais conhecido como jornalista desportivo.

A GUERRA

Num ano qualquer
houve uma batalha qualquer
numa terra qualquer
entre um rei qualquer e outro rei qualquer.
No fim, um anjo qualquer
desceu no campo de batalha,
pegou nos cadaveres do rei qualquer e do rei qualquer
e disse para um deus qualquer:
- Qual quer?

Fiquem bem, e tenham uma boa semana de trabalho.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Poema com Natal por tema X

O poema de hoje, de João Patrício, versa um tema profundamente actual, que infelizmente o será ainda por muitos anos.

NATAL DOS HOMENS

Todos os anos, Jesus
Feito criança, menino,
Transforma a terra em flor.
E em poucos dias, no mundo,
Os homens vivem unidos,
Falando apenas de amor.

Mas, quando o Natal acaba
E os dias são como os outros
Nas cidades e na serra,
Durante o resto do ano
Os homens já desavindos,
Apenas falam da guerra.

E assim decorrem os anos
Nesta atroz contradição:
- Os homens, podendo amar-se
Morrem de armas na mão!...

Caros carantonhas, tenham uma boa semana.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Acabem com a guerra, porra


Gostava de deixar aqui, não uma opinião, mas uma reflexão sobre o terrível conflito israelo-palestino ou palestino-israelita (e aqui a ordem dos factores não é arbitrária), mas não vou fazê-lo, pois temo correr o risco de repetir- e portanto tornar-me igual- o que tantos plumitivos, políticos, fazedores de opinião, senhores da guerra (pois também os há, ainda que não directamente metidos nela, antes interessados) já disseram. Que todos estes senhores se lembrem que numa guerra há sempre, pelo menos, dois opositores, e que ambos terão as suas razões. E como estou convencido que todos eles conhecerão a génese do território e do conflito, atrevo-me a perguntar quais os motivos que levam estes senhores acima citados, a tomar partido por um dos lados? Interesses, of course. Pela minha parte, embora tenha opinião sobre o conflito, não gostaria de tomar partido, uma vez que estou envolvido num conflito pessoal. Que é o de que, paradoxalmente, tomo o partido dos dois lados, uma vez que, embora não seja pacifista fundamentalista (não sou dos que dão facilmente a outra face), sou visceralmente contra a guerra, e o meu desejo é que os dois lados se entendam depressa, uma vez que inevitavelmente terão ad aeternum, de viver lado a lado. É então necessário que os senhores que governam o mundo instável em que vivemos, se mobilizem e desinteressadamente dêem as mãos aos dois lados. Assim seja. Este pobre escrito, em que afinal deixei uma tímida opinião, é o pretexto para deixar também dois belos poemas.
A GUERRA
Num ano qualquer,
houve uma batalha qualquer,
numa terra qualquer,
entre um rei qualquer
e outro rei qualquer.
No fim, um anjo qualquer
desceu no campo de batalha,
pegou nos cadáveres do rei qualquer
e do rei qualquer
e perguntou
para um deus qualquer:
_ Qual quer?
Poema de CARLOS PINHÃO, mais conhecido como jornalista desportivo, mas que foi também um excelente escritor e poeta, especialmente com obras para crianças
AS MÃOS
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga ao mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Poema de Manuel Alegre in O Canto e as Armas (1967), edição do autor (Poesia Nosso Tempo), Maio de 1970