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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Parabéns retardados




Foto de A. Mendes

Eh pa, aqui tinhas menos dois anitos!


O neto mais velho fez ontem anos. Por isto ou por aquilo, não tive oportunidade de o parabenizar (como estamos em rodagem para o acordo ortográfico, fica bem aplicar uma palavra oriunda do Brasiu). Como para mim o dia ainda não acabou, faço de conta que ainda estamos a 24, apesar de já estarmos nas 3h53 de 25.
Para ti, Ricardo, que sei que compreendes a mensagem, vou plasmar (outra palavra bonita) aqui uma prosa poética de José Fanha e um poema das Odes de Ricardo Reis, um heterónimo de Fernando Pessoa como sabes.
Primeiro José Fanha:

ASAS



Nós nascemos para ter asas, meus amigos.
Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós
nascemos para ter asas.
No entanto, em épocas remotas, vieram com dedos
pesados de ferrugem para gastar as nossas asas como
se gastam tostões.
Cortaram-nos as asas para que fôssemos apenas
operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos
de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.
Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas
transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem
mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas,
de novo voltam a ser.
Aceitemos esta hipótese, apesar de não termos dela
qualquer confirmação prática.



Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair.

Agora Ricardo Reis:

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Pôe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alta vive.

E não resisto a terminar com os dois primeiros versos (de quatro) de uma outra ode de Ricardo Reis:

Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre.











terça-feira, 17 de novembro de 2009

E hoje estou feliz

Hoje fui mais uma vez, almoçar com o meu colega Nelson Ferraz. E voltámos a falar das Aventuras de João Sem Medo. Por coincidência ou premonição, não sei. E hoje estou felicíssimo. Porquê? perguntarão os caros carantonhas, e o Nelson também. Então não é que depois de almoço me telefonou a filhota, feliz também, comunicando-me que hoje eu tinha ajudado o neto mais velho. Intrigado, perguntei porquê, e vocês, caros carantonhas, perguntem também: porquê? E lá veio a explicação. Na turma do Ricardo (o neto), na disciplina de português, uma das tarefas era ler um livro e depois explicar a história na aula, bem como dar a conhecer o autor.
O Ricardo aconselhou-se com a mãe, e como eu em tempos lhe tinha oferecido as Aventuras de João sem Medo, que ele só tinha começado a ler, foi-lhe sugerido que acabasse a leitura do mesmo para apresentar na aula. Foi hoje, e por sorteio, não é que calhou ser o Ricardo o contemplado? E então como tem queda para o teatro (tem a quem sair - gaba-te cesta - desde os avós até à mãe) pegou no seu jeito clownesco de comédia em pé, quer dizer, para se perceber melhor, stand up comedy, e apresentou o trabalho. Foi um êxito. Desde a professora aos colegas todos classificaram de muito bom o trabalho, o que fez com que o Ricardo exultasse de alegria, e os pais também. E eu, repito estou felicíssimo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

È Natal II

Mais um texto sobre o Natal. É um texto com incorreções linguísticas, próprias da idade que quem o escreveu tinha na altura - 11 anos-, mas já com um estilo bem vincado que nos leva a um final inesperado. O texto não tem qualquer correcção. Estás virgem. Foi escrito pelo meu neto mais velho, Ricardo de seu nome, agora a caminho dos 15 anos.

NATAL
Num dos primeiros dias de Inverno, estava eu a passear pela rua do meu bairro,para fazer as compras de Natal. O céu estava com uma cor triste; havia mares de pessoas com o mesmo objectivo que eu. Passava pelas montras mas não via nada, só belas coisas inúteis a cintilarem e a parecer dizer: -"Comprai-me, comprai-me". Mas eu não caía nessa.
Continuei com o meu destino, até que vi um homem, quase nu, com um aspecto tão pobre, que não tinha pão nem o seu ninho. Ao lado dele estava um café; fui lá, comprei um chocolate quente, ofereci-lho e cobri-o com o meu casaco; ele agradeceu-me, e com uma voz rouca sussurrou-me: «que Deus te abençoe ho, ho, ho». Fiquei com as palavras na cabeça; essas palavras pareciam-me familiares. Continuei a andar lentamente, quando percebi que aquelas palavras vinham da língua polo-nortês, mais conhecida como polo nortiano, e que a pessoa que as dizia era o... De repente ouvi um barulho estranho, olhei para trás e vi o mesmo homem, que por acaso estava mais gordo, em cima de um trenó a dizer: Made in POLO NORTE, com um super motor do caraças, com renas a conduzi-lo; era quem eu pensava: o Pai Natal!
- "Ho, ho, ho, Feliz Natal"- disse ele.
E eu todo contente agradeci-lhe.
E lá ia ele no seu trenó com um motor potente, até que este ficou sem gasolina, mas eu reparei que o motor estava cheio. Então pensei logo que o trenó vinha do chinês e ere verdade; começou a chover (infelizmente) e na tira que dizia made in POLO NORTE, apareceu made in CHINA. Então fiquei a pensar que o Pai Natal é um falso e nunca mais lhe escrevi.