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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL



Eu, e o Nico desejamos a todos os estimados Carantonhas, que nos seguem habitualmente, mas também aos que ocasionalmente passam por aqui,

UM NATAL FELIZ
e
que em 2011 os vossos sonhos se realizem

terça-feira, 23 de junho de 2009

Eu toco a que sei...

A história que hoje vou trazer aqui, não fui buscá-la à arca do velho, embora a dita lá repouse há muito. Isto, porque a minha mãe, que foi quem me a contou, ainda a conta quando a ocasião se proporciona. É uma história que podemos incluir no capítulo das festas e romarias e que se passa entre os anos trinta e quarenta do século passado.

Conta a minha mãe que nessa altura não havendo ainda orquestras para animar bailaricos, estes aconteciam normalmente no largo da aldeia ou em qualquer terreiro onde a juventude se juntasse, e em que houvesse um instrumento musical, e alguém que o tocasse. Acontecia aparecer sempre por lá um simpático senhor, o Ti Cipriano, com o seu acordeão (nesse tempo seria talvez uma concertina) mas, infelizmente para a mocidade dançante, com um repertório escasso, que ia dando para animar a festa. Mas passado algum tempo da festança ter começado, já todos estavam cansados de dançar as mesmas modas, que sei iam repetindo de encontro para encontro. Então, as moças, que normalmente nestas coisas de bailaricos eram as mais interessadas e as mais atrevidotas (parece que ainda hoje é assim), chegavam-se ao Ti Cipriano e pediam:- "Ó Ti Cipriano, toque lá agora um tango". E o Ti Cipriano, consciente deas suas limitações, respondia:- "Ó meninas, ó meninas, eu toco a que sei, voces dançam a que querem". E o bailarico lá continuava sem zangas nem amuos, porque o que as moças queriam era rodopiar amparadas pelos braços dos moços.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

È Natal II

Mais um texto sobre o Natal. É um texto com incorreções linguísticas, próprias da idade que quem o escreveu tinha na altura - 11 anos-, mas já com um estilo bem vincado que nos leva a um final inesperado. O texto não tem qualquer correcção. Estás virgem. Foi escrito pelo meu neto mais velho, Ricardo de seu nome, agora a caminho dos 15 anos.

NATAL
Num dos primeiros dias de Inverno, estava eu a passear pela rua do meu bairro,para fazer as compras de Natal. O céu estava com uma cor triste; havia mares de pessoas com o mesmo objectivo que eu. Passava pelas montras mas não via nada, só belas coisas inúteis a cintilarem e a parecer dizer: -"Comprai-me, comprai-me". Mas eu não caía nessa.
Continuei com o meu destino, até que vi um homem, quase nu, com um aspecto tão pobre, que não tinha pão nem o seu ninho. Ao lado dele estava um café; fui lá, comprei um chocolate quente, ofereci-lho e cobri-o com o meu casaco; ele agradeceu-me, e com uma voz rouca sussurrou-me: «que Deus te abençoe ho, ho, ho». Fiquei com as palavras na cabeça; essas palavras pareciam-me familiares. Continuei a andar lentamente, quando percebi que aquelas palavras vinham da língua polo-nortês, mais conhecida como polo nortiano, e que a pessoa que as dizia era o... De repente ouvi um barulho estranho, olhei para trás e vi o mesmo homem, que por acaso estava mais gordo, em cima de um trenó a dizer: Made in POLO NORTE, com um super motor do caraças, com renas a conduzi-lo; era quem eu pensava: o Pai Natal!
- "Ho, ho, ho, Feliz Natal"- disse ele.
E eu todo contente agradeci-lhe.
E lá ia ele no seu trenó com um motor potente, até que este ficou sem gasolina, mas eu reparei que o motor estava cheio. Então pensei logo que o trenó vinha do chinês e ere verdade; começou a chover (infelizmente) e na tira que dizia made in POLO NORTE, apareceu made in CHINA. Então fiquei a pensar que o Pai Natal é um falso e nunca mais lhe escrevi.