quinta-feira, 16 de abril de 2009

O sonho esfumou-se...

Imagem "roubada" com a devida vénia a f.c.p.blogs.sapo.pt

"Nós somos do tecido de que são feitos os sonhos" - William Shakespeare

Sonhar não é proibido (ainda). Sonhar é sempre possível, ainda que sonhar acordado, nos possa causar alguns dissabores. Foi o que nos aconteceu. Mas foi bom ter sonhado durante uma semana. Pelo que fez nos dois jogos, o campeão merecia ter passado. Se como diz o poeta, "o sonho comanda a vida" vamos continuar a sonhar com o próximo ano desportivo. Pela minha parte só lamento que "mouros" vermelhos e verdes exultem com a eliminação do rival que lhes pode possibilitar a entrada no mundo dos campeões.
É o espírito de porco dos "campeõezinhos" frustrados. E por aqui me fico

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A "reza"

Hoje vou escrever sobre a “reza”. Calma, carantonhas, ninguém vai ajoelhar, nem erguer as mãos ao céu e rezar. Embora possa, porventura, haver alguma relação, esta “reza” é outra. É assim a modos que um jogo com algo de pagão e de religioso. Eu explico: Por altura da Páscoa, em algumas zonas do país, - pelo menos na região onde nasci, assim era - acontecia a “reza”, que hoje caiu praticamente em desuso. Continuo a explicar: o jogo tinha só dois oponentes, mas cada um deles podia jogar com quantos parceiros entendesse. As condições, eram previamente estabelecidas e o prémio, era normalmente amêndoas, em quantidade combinada. Consistia em “mandar rezar” o outro, isto é, aquele que primeiro visse o oponente dizia “reza” e então “ficava por cima”, quer dizer, tinha vantagem. Isto, uma vez por dia. Aquele que na altura da chegada da aleluia, (que actualmente é à meia-noite de sábado, mas antigamente era às onze horas de domingo), “estivesse por cima”, era o vencedor. Uma das condições mais curiosas que normalmente os jogadores se impunham, era de que não se podia mandar rezar debaixo de telha, e então, cada um, quando saía de casa levava sempre consigo um pequeno pedaço de telha para, na eventualidade de poder ser surpreendido, o pôr em cima da cabeça e assim se safar. O jogo além de proporcionar algumas “espreitadelas” por vezes embaraçosas, e que não cabe aqui esmiuçar, era muitas vezes, especialmente por parte dos rapazes, pretexto para uma aproximação que pudesse proporcionar o início de um namoro, que não raras vezes dava em casamento. Não tenho elementos fiáveis para poder afirmar que em tempos recuados o jogo tinha carácter social cujo objectivo era o início de uma relação amorosa, e o “mandar rezar” era o “castigo” por se ter deixado apanhar, mas recordo-me de há muito tempo ter lido algo que me faz crer que a ideia era essa. E agora por aqui me fico, pois estou de partida para a minha aldeia, para as festas da Páscoa, e quero ver se ainda consigo “andar à reza” com alguém.
Mesmo sem amêndoas, ovos, ou coelhinhos (as imagens negaram-se a entrar neste escrito), desejo-vos, Carantonhas, FELIZ PÁSCOA, e até para a semana.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

9 de Abril - Batalha de La Lys

Faz hoje 91 anos que o exército português, sofreu em tempo de guerra, a sua maior derrota, desde a batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Foi na 1ª Guerra Mundial, na Batalha de La Lys. As tropas portuguesas, o CEP (Corpo Expedicionário Português), estavam integradas no exército britânico e compreendiam cerca de 20 mil homens. Defendiam o vale da ribeira de La Lys, na região das Flandres, Bélgica. A ofensiva alemã deu-se entre 9 e 29 de Abril de 1918 e incidiu precisamente nesse sector. As tropas portuguesas em apenas quatro horas de batalha, perderam cerca de 7 500 homens, dos quais 327 eram oficiais, entre mortos feridos prisioneiros e desaparecidos. Razões várias contribuíram para este descalabro, entre as quais o fraco armamento, a chamada a Lisboa de oficiais com experiência de guerra, alguns deles por favor político e que não voltaram à Bélgica, o fraco moral das tropas, o recuo das tropas britânicas, deixando expostos os flancos do CEP.
Foi também nesta batalha que se distinguiu o soldado "Milhões", cuja história fica para outro escrito. Hoje, fica aqui a singela homenagem aos que não regressaram.

Cachorrinhos vendem-se

Imagem "roubada" a lisboacity.olx.pt

Volto hoje ao tema da esperança, para vos trazer uma comovente história de amor que "roubei" (já são dois "roubos" no mesmo escrito) a um livro curiosíssimo da Lyon Edições com um título também curioso e apelativo, "O Pequeno Livro da Canja de Galinha para a Alma- Histórias para abrir o coração e reavivar o espírito". Então aqui vai a história contada por Dan Clark: "Um rapazinho apareceu por baixo do letreiro do dono da loja "Cachorrinhos vendem-se"

- Por quanto vai vender os cachorrinhos? - perguntou.

- Entre 30 a 50 dólares - respondeu o dono da loja.

- Tenho 2 dólares e 37 cêntimos disse o rapazinho. Posso vê-los?

O dono da loja sorriu e assobiou, e do canil saíram cinco bolinhas de pelo. Um dos cachorrinhos ia ficando bastante para trás. O rapazinho distinguiu imediatamente o cachorrinho atrasado e que coxeava e disse:

- O que é que tem aquele cachorrinho?

O dono da loja explicou que ele não tinha o encaixe da anca e que seria sempre coxo. O rapazinho ficou excitado: - É esse cachorrinho que eu quero comprar.

O dono da loja comentou: - Não, não queres comprar esse cachorrinho. Se o quiseres, dou-to.

O rapazinho ficou muito aborrecido. Olhou bem nos olhos o dono da loja e disse: - Não quero que mo dê. Esse cachorrinho vale cada cêntimo, tal como os outros e vou pagar o preço total. Vou dar-lhe 2 dólares e 37 cêntimos e 50 cêntimos por mês até o ter pago.

O dono da loja insistiu: - Não vais querer comprar este cãozinho. Nunca vai conseguir correr e saltar contigo como os outros cãezinhos.

A isto, o rapaz respondeu, baixando-se, e levantando a perna da calça, mostrou a perna esquerda muito torta e defeituosa, presa por um grande aro de metal. Olhou para o dono da loja e respondeu suavemente:

- Bom, eu também não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que o compreenda".

Bonita história e excelente lição de vida.

Sem falsa moral, que bom seria termos exemplos destes todos os dias. Talvez, quem sabe, construíssemos um mundo melhor.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Um dia destes...

Hoje apetece-me falar de esperança, e trazer aqui um excelente poema de Egito Gonçalves que tão bem nos fala dela. E a ideia (o apetite) surgiu depois de ter assistido a um extraordinário jogo de futebol (desculpem lá os carantonhas que não gostam, mas por uma vez teve que ser...) que a equipa do meu clube (pois, pois, o F.C.PORTO) disputou em Londres com um dos mais poderosos clubes do mundo. Aqui, a esperança mantém-se. Mas por outro lado é preciso que a esperança renasça no quotidiano das nossas vidas. Que renasça nos operários da fábrica que não sabemos se vai fechar; que renasça nos operários da fábrica que já fechou, nos desempregados à procura de emprego; nas famílias a quem a doença roubou um ente querido; no estudante que por uma qualquer razão não teve êxito neste ano de estudo, no estudante que por não ter média teve que fazer um compasso de espera, ou que teve de entrar num curso que não era o desejado. No actor (ou actriz) a quem ainda não surgiu, ou surgiu pouco, a oportunidade de agarrar um trabalho. E que a esperança renasça em tantas, tantas outras situações que se mencionadas tornariam este escrito bastante mais extenso do que já vai estando.
Por fim, se queremos que a esperança renasça em tempo de crise, é preciso que todos, mas todos, (e este todos, não deveria ser necessário lembrá-lo, quer dizer patrões, empregados, políticos, governantes, etc.) dêmos as mãos e rememos certos e para o mesmo lado. E então, um dia destes beberemos todos a cerveja da alegria e da amizade, e o dia seguinte estará sempre aberto. Que assim se cumpra e assim seja.



MELOPEIA PARA UM FUTURO TALVEZ SIM

Um dia destes abrir-se-ão as portas
e entraremos todos na cidade
Um dia destes teremos um domingo
e haverá água límpida e potável

Um dia destes contaremos contos
de terrores antigos de perseguições
e poremos os verbos no passado
felizes de escaparmos ao massacre

Um dia destes o silêncio quebrará
para sair uma canção de amor
Um dia destes a noite abrir-se-á
e tu serás o rosto descoberto

Um dia destes poremos no zoológico
os últimos hipopótamos da cidade
e cortaremos o resto dos tentáculos
que nos mantêm à mercê do grande polvo

Um dia destes as palavras serão públicas
e não escreverão penas de morte
não servirão para mentir atraiçoar
para ferir os amigos ou matá-los

Um dia destes construiremos um museu
com os retratos do medo e da tortura
do diabo do crime da miséria
na galeria dos antepassados

Um dia destes teremos tempo de juntar
os bocados de nós próprios e colá-los
Um dia destes não seremos obrigados
a sempre recusar de mão fechada

Um dia destes tu serás tangível
e os meus dedos poderão desapertar-te
Um dia destes os quatro cavaleiros
estarão na cadeia sem cavalos

Um dia destes não será com juras
clandestinas que a esperança se fará
Um dia destes a fome não poderá
comprar de novo lâminas de barba

Um dia destes abrir-se-ão as portas
e dançaremos nas ruas da cidade
Um dia destes beberemos todos
a cerveja da alegria e da amizade

Um dia destes secarão as lágrimas
e teremos cartas vindas da Europa
Um dia destes a vida será fértil
e o dia seguinte estará sempre aberto

Meus amigos meu amor
Um dia destes...

Egito Gonçalves

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Lembrando Mário Viegas


Madrugada de 1 de Abril de 1996. Protagonizando a última das inumeráveis cenas de uma curta vida (48 anos), morria na unidade de infecto-contagiosas d Hospital de Santa Maria, um dos maiores, se não o maior actor da sua geração - MÁRIO VIEGAS. Há treze anos, portanto. De seu nome completo António Mário Lopes Pereira Viegas, nascido em Santarém. Foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se iniciou no teatro universitário. Passou também pelo Teatro Universitário do Porto. Frequentou o Conservatório Nacional e profissionalizou-se no Teatro Experimental de Cascais. Fundou três companhias de Teatro, sendo a última, a Companhia Teatral do Chiado, a menina dois seus olhos. Representou peças de inúmeros autores como Pirandello, Strindberg, Eduardo de Fillipo e Beckett, o seu autor de eleição, do qual também encenou. Fez também cinema.Filmes como Sem Sombra de Pecado, A Mulher do Próximo, A Divina Comédia, O Rei das Berlengas e Kilas o Mau da Fita, de certo modo a sua coroa de glória. Com um extraordinário domínio da palavra, foi um excelente divulgador de poesia, como extraordinário "recitador" que era (era assim que gostava de ser conhecido). Foi premiado diversas vezes pela Casa da Imprensa. Recebeu o Prémio Garrett da Sec. Estado da Cultura, como Melhor Actor. Distinguido em Festivais de Teatro e Cinema. Em 1994 foi ordenado Comendador da Ordem do Infante, pelo Presidente da República, Mário Soares. Dele disse José Saramago: - "Mário Viegas morreu. Era um cómico que levava dentro de si uma tragédia. Não me refiro à implacável doença que o matou, mas a um sentimento dramático da existência que só os distraídos e superficiais não eram capazes de perceber, embora ele o deixasse subir à tona da expressão às vezes angustiada do olhar , e ao ricto sempre sardónico e amargo da boca. Fazia rir, mas não ria. Pouca gente em Portugal tem valido tanto".
Conheci-o vagamente (ofereceu-me cópias dos poemas de Tossan, que ele dizia admiravelmente), mas sei que lá onde se encontra continua a fazer as suas CENAS e a espalhar o seu talento. Como diria Vinicius, de quem tanto gostavas, SARAVÁ, MÁRIO.

Ir para o maneta


No passado domingo foi lembrado no Porto, o 200º aniversário do terrível desastre da Ponte das Barcas, em que morreram afogados centenas de portuenses, fala-se em cerca de cinco mil, quando fugiam das tropas francesas, que invadiam a cidade. Esta era a 2ª invasão, comandada pelo marechal Soult. Estas invasões deram origem a várias expressões que entraram no domínio popular, e que ainda hoje se mantêm. Ora, um dos comandantes das tropas francesas da primeira invasão comandada pelo general Junot, era um general de nome Louis Loison, homem cruel, autor de numerosas pilhagens e actos violentos, que torturou e matou numerosas pessoas. Este general tivera em tempos um acidente de caça que lhe decepou o braço esquerdo, sendo por isso conhecido pelo maneta. Quando, por exemplo, se queria assustar uma criança que se portasse mal, dizia-se-lhe: -"Olha que vais para o maneta!". No seu significado original queria dizer ir para a tortura ou para a morte. Hoje em dia, "ir para o maneta", quer dizer dar cabo de alguém ou de alguma coisa; destruir; estragar-se; perder-se e não ter recuperação. Depois disto, espero que não me mandem para o maneta!