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terça-feira, 15 de abril de 2014

DOIS ANOS

Hoje, porque a nossa passagem pelo tempo é inexorável, à distância de dois anos da tua partida, vivemos de recordar memórias. E lembro-me de como tu gostavas de flores. E como eu só tas trazia em ocasiões especiais, “puxavas-me as orelhas”,por não tas oferecer mais vezes. Eu sei que não era tanto a flor que contava, mas o gesto. Então, hoje, para te ter mais presente, comprei uma rosa, que por aqui ficará até que também ela se vá. Espero que gostes.
Deixo-te com um bonito poema de Eugénio de Andrade e um beijo terno de saudade.

Poema VIII

Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
E dei às romãs a cor do lume.

Foi para ti que pus no céu a lua
E o verde mais verde dos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
Um corpo aberto como os animais

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Já lá vão tantos anos...!


Em 1960 a RTP estava ainda na infância mas já tinha estúdios no Porto, onde eram gravados ou transmitidos directamente (mais estes do que aqueles) programas dee variedades e teatro. Vinham até realizadores e apresentadores (p.ex. Jorge Alves) de Lisboa, que alternavam com os realizadores do Porto (dr. Correia Alves). Mas eram também utilizados os serviços de habituais colaboradores dos programas de teatro ou variedades como no caso documentado nesta fotografia, em que a BELA MARIA fazia a apresentação de um programa de variedades. Note-se que o uso do teleponto era ainda incipiente, como se vê no exemplo da foto, com o texto escrito num cartão. Mas nem sempre havia teleponto. O texto (guião) era escrito e tinha que ser decorado. Ainda existe cá em casa um desses guiões. E já lá vão 52 anos.

domingo, 14 de outubro de 2012

Memória






O seu maior desejo era viver em paz consigo mesma e com os outros. Adorava o silêncio. O ruído, qualquer ruído, por mais leve que fosse, mesmo o bulício próprio da casa, a incomodavam. Começou a sentir que era um estorvo para os que a rodeavam, embora lhe fizéssemos sentir o contrário. Veio o cansaço e com ele o desejo de partir. Como ela dizia, partir para um sítio onde havia muita luz e nenhum ruído, mas que só ela sabia onde era. Sabíamos que num tempo mais ou menos próximo iríamos vê-la partir e ficar só com a sua ausência. E um dia, um tanto inesperadamente, mais cedo do que desejávamos, partiu. Hoje sabemos que chegou e onde está. Sabemos também, que finalmente está em paz consigo e com os outros. Costumamos comunicar com ela através das nossas recordações e das memórias que temos dela. E, querida Bela Maria, porque hoje faz seis meses que partiste, para mitigar a saudade que temos de ti, trago-te uma fotografia de uma peça de teatro que passou na RTP, no já longínquo dia 13 de Janeiro de 1961, em que contracenavas com o actor João Guedes.
Obrigado pelo tempo que estiveste connosco.