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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os candidatos

Eles aí estão prontos a bailar a dois. E a dar-nos baile. Vão falar, falar, bla, bla, bla, e não vão dizer nada. Vão desvendar-nos o que eles chamam os podres de cada um. Vão chamar-se mutuamente de mentirosos.Com uma pequena nuance a armar ao elegante: nenhum diz mentiras, diz inverdades. Uns puxam da cartilha, e insistem nela sem se desviar uma linha daquilo que de tanto ser repetido já sai de cor. Outros vão usar da sua experiência de calcorreadores ou passeantes (da, ou pela) política. Todos vão prometer resolver os problemas dos portugueses, sabendo que pela inerência do cargo isso lhes está practicamente vedado.Mas mesmo assim dizem-nos que vão usar a sua (deles) influência. Ah, e vão falar-nos muito dos trabalhadores. Vão encher a boca com os trabalhadores. Vão resolver os problemas dos trabalhadores. E isto dos trabalhadores, e aquilo dos trabalhadores, e os trabalhadores, mais os trabalhadores. E os desempregados? E os reformados, e os jovens à procura do primeiro emprego, e os que ainda estudam? Esses não são portugueses. Portugueses são os trabalhadores. São assim os candidatos.
Não sei porquê, mas quando estava a escrever isto veio-me à memória aquela históriazinha (recuso-me a escrever estória) da Ana Hatherly, que é assim:
"Era uma vez duas serpentes que não gostavam uma da outra. Um dia encontraram-se num caminho muito estreito, e como não gostavam uma da outra devoraram-se mutuamente. Quando cada uma devorou a outra não ficou nada. Esta história tradicional demonstra que se deve amar o próximo, ou então ter muito cuidado com o que se come".

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Candidatos


Democracia é a arte de dizer "cãozinho bonito" até se encontrar uma pedra
Wynn Catlin
Modernamente, todo aquele que pretende um cargo de nomeação ou eleição, candidata-se, é o candidato. Só que hoje quem se candidata veste-se como lhe agrada, desde o mais formal fato e gravata até à veste mais indiferenciada (parece que agora se diz “casual”). Já imaginaram o ridículo que seria hoje, se alguém se apresentasse a disputar um cargo, todo de branco vestido? Pois, mas é daí que deriva a palavra candidato, através do latim candidatu, “o que vem vestido de branco” (não nos esqueçamos de palavras como cândido, candura, etc.) De facto, na antiga Roma, todo aquele que concorria a um cargo político devia ser homem sem mancha, puro, de consciência limpa – “branco”, resumindo.
Daí que quando apresentavam a sua candidatura, envergavam uma toga de alvura imaculada. Por extensão o termo passou a aplicar-se a todo aquele que concorria a qualquer cargo. Os meus caros carantonhas desculpem, mas eu cá, com o meu espírito retorcido, hoje, obrigava a que todos os pretendentes, ou concorrentes (palavras que querem dizer o mesmo que candidato) se apresentassem de negro. Sabem o que eu quero dizer, não sabem? Pronto, já disse.