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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tudo começou quando...

Tudo começou quando o Todo Poderoso lançou o nosso globo no espaço e lhe chamou Terra. Pois é: tudo começou com um lamentável erro de denominação. Como é que se compreende chamar Terra a um planeta que na sua composição é dois terços líquida? É evidente que a Terra devia chamar-se água. Depois de fazer o dia, a noite as árvores e os minerais, Deus fez todos os animais. Isto é, todos não! Basta a gente olhar pró camelo para perceber que aquilo é uma obra de  grupo. Depois de fazer todos os animais, Deus resolveu fazer o primeiro homem. E fez. Mas como não registou a invenção, hoje qualquer idiota se acha no direito de fazer o mesmo. Agora, reparem que Deus era um tipo realmente modesto: ao fazer o 1º homem, fez Adão, um tipo bronco, um simplório, em suma, um camponês analfabeto. Pergunto muitas vezes a mim próprio porque é que, com o seu poder, não fez um general de 4 estrelas?**

Pois é, não fez um general e voltou a errar. Fez um coelho passeante, um relvinhas, um porteiro, um  vitorino au ralenti, um macedónio, e outros equivalentes. Em suma, fez uma salada podre que vamos ter que engolir por muito tempo, com muitas dores de estômago e de cabeça.

** Texto de Millôr Fernandes


domingo, 29 de maio de 2011

Portugês suave



A imagem é a capa de um livro de crónicas do me amigo Soares Novais, com prefácio do também meu amigo César Princípe e desenho do meu amigo Onofre Varella.Tive o prazer de fazer a leitura de algumas crónicas, na apresentção do livro.


A campanha política para as próximas eleições, aí está com algum destempero, com gente assanhada, zangada, que deveria unir-se já porque o FMI anda por aí há já muito tempo, há mais tempo do que se pensa, e os nossos políticos não mostram laivos de vergonha no seu modo de se comportar. Insultam-se directamente, mandam outros insultar os adversários, mas dizerem-nos como sair da crise, como vão resolver os graves problemas daqueles a quem (penso eu que, acintosamente) chamam povo, isso é que não dizem.
Depois de ter visto na tv, comentando a crise, políticos que não nomeio, porque todos saberão quem são, (devo em verdade dizer que, de um deles nunca gostei, por ser arrogante, e se julgar o guru da economia, um tipo a quem chamam N L). O representante do PS, argumentava dizendo: “o dr N L licenciado em economia…não acabou a frase porque a outra besta retorquiu imediatamente:”licenciado não, doutor, que é coisa que tu não és”. Mais à frente repetiu a gracinha. E do outro que diz que os políticos só andam a discutir “pentelhos” (eu pensava que era pintelhos, foi assim que sempre lhe chamei). Pergunto com algum espanto e muita inocência: São estas bestas que se preparam para nos governar?

Só nos resta sorrir e não entrar em quezílias, como nos diz Joaquim Pessoa no texto

PORTUGUÊS SUAVE

Sorrir. De vez em quando e apenas. A longínqua e doce primavera virá florescer mais perto, num bosque de sangue onde vagueia ainda uma horda de visigodos a embebedar-se todos os dias nesse mesmo sangue. Ah, mas não faz mal, como diria a legenda do mapa azul das terríveis vinganças. Vingar-nos-emos todos deste lapso de história em que estamos para nascer completamente roxos com o cordão umbilical a apertar-nos o pescoço mais e mais, já sem doer o que antes foi dor de parto e de partida. Apertemo-nos, pois, todos, os mais fracos, para que cada forte possa ficar mais à vontade. E se alguém vier dizer que o nosso lugar não é aqui, já sabeis, nada de quezílias ou de maus modos. Sorrir. Sorrir de vez em quando e apenas.

terça-feira, 29 de março de 2011

Como disse?

Significado de "falta de vergonha" em Portugal: os políticos.
Disse, e saiu pela porta do fundo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

E agora? Que Sociedade queremos ter?

Depois de ter visto hoje, na televisão, um programa sobre "os novos pobres" portugueses (gente que tinha empregos estáveis e de um dia para o outro se viu no desemprego e sem meios de subsistência); depois de ter assistido ontem, pela televisão, ao espectáculo deplorável dado pelos políticos na Assembleia, na reprovação do PEC, e depois, dos seus comentários; depois de ver..., bem fiquemos por aqui...!, achei por bem trazer aqui um poema absolutamente actual, um retrato escrito pelo meu amigo, e poeta, Fernando Campos de Castro.

INSTANTÂNEO

Chegou-se:
vinha andrajoso
mais parecia um cão tinhoso
do que um pedaço de gente

Olhou-me então bem de frente
dizendo compenetrado:

- Miséria e solidão
é isto que um velho herda 
Sabe uma coisa senhor:
- Este País é uma merda

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os candidatos

Eles aí estão prontos a bailar a dois. E a dar-nos baile. Vão falar, falar, bla, bla, bla, e não vão dizer nada. Vão desvendar-nos o que eles chamam os podres de cada um. Vão chamar-se mutuamente de mentirosos.Com uma pequena nuance a armar ao elegante: nenhum diz mentiras, diz inverdades. Uns puxam da cartilha, e insistem nela sem se desviar uma linha daquilo que de tanto ser repetido já sai de cor. Outros vão usar da sua experiência de calcorreadores ou passeantes (da, ou pela) política. Todos vão prometer resolver os problemas dos portugueses, sabendo que pela inerência do cargo isso lhes está practicamente vedado.Mas mesmo assim dizem-nos que vão usar a sua (deles) influência. Ah, e vão falar-nos muito dos trabalhadores. Vão encher a boca com os trabalhadores. Vão resolver os problemas dos trabalhadores. E isto dos trabalhadores, e aquilo dos trabalhadores, e os trabalhadores, mais os trabalhadores. E os desempregados? E os reformados, e os jovens à procura do primeiro emprego, e os que ainda estudam? Esses não são portugueses. Portugueses são os trabalhadores. São assim os candidatos.
Não sei porquê, mas quando estava a escrever isto veio-me à memória aquela históriazinha (recuso-me a escrever estória) da Ana Hatherly, que é assim:
"Era uma vez duas serpentes que não gostavam uma da outra. Um dia encontraram-se num caminho muito estreito, e como não gostavam uma da outra devoraram-se mutuamente. Quando cada uma devorou a outra não ficou nada. Esta história tradicional demonstra que se deve amar o próximo, ou então ter muito cuidado com o que se come".

domingo, 23 de maio de 2010

Qual quer? *

Voltei a ouvi-los, como acontece quase todos os dias, num noticiário televisivo. Nenhum deles me atrai. Depois do que hoje ouvi dos dois, deu-me para reflectir. Reflecti. Cheguei a uma conclusão.Se um dia, para mal dos meus pecados, tiver que apoiar (melhor, estar de acordo) com um deles, sei qual é. Pelo que ouvi penso que um acredita piamente que as ideias que transmite são capazes de nos trazer uma vida melhor. Do outro, estou firmemente convencido que é tão, tão demagógico, que nem ele próprio acredita na sua demagogia. Então carantonhas, já advinharam a quem me refiro? Não? Então eu digo: Sousa e Louçã. E por aqui me fico.

* verso final de um poema, que, com todo o respeito que o autor me merece, roubei a Carlos Pinhão, que foi jornalista desportivo e também poeta.

domingo, 14 de março de 2010

Livrai-nos deles

 (Vai com três exclamações) Fantástico!!! Para quem andou um ano inteiro (ou quase) a proclamar a "asfixia democrática" do Governo, aprovar no seu congresso uma resolução antidemocrática e inconstitucional, que proíbe os seus militantes de criticarem a direcção partidária, nos dois meses antes de eleições no partido, é de obra. Aconteceu no PSD. Se é que ainda tinham alguma, perderam agora, por completo, a vergonha. Agora imaginem o que poderá acontecer a um país inteiro, quando, e se, forem governo. Ó deus, manda daí um raio que os parta. Se isto for pedir muito, pelo menos os dentes. E já agora, que lhes queime também a língua. Valha-nos São Pancrácio.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

ISMOS


Estava eu, há pouco, a procurar numa antologia de poesia de Jorge de Sena, um poema de que necessito para um trabalho, quando me deparei com este outro, de que já nem sequer me lembrava. Um poema escrito no ano 72 do séc. passado, mas digam-me lá carantonhas, se não está perfeitamente inserido na actualidade. Fica claro que o que abaixo se lê se aplica a todo e qualquer quadrante da política e da sociedade em geral.

«DEIXEM-SE DE FINGIR»

Deixem -se de fingir de heróis da esquerda,
com bancos e bancas de advogado, redacções,
editoriais, automóveis, bolsas e cátedras,
quintas herdadas, páginas literárias.
Deixem-se de uivar em defesa de ismos
que nenhum vos pertence ou a que pertenceis
a não ser para dançar a dança desnalgada
dos que não têm vergonha do povo português.
O único ismo em consonância com os arrotos
de bem comidos, e os rosnidos de instalados
naquilo que criticam disfarçando-se,
é o relismo - de reles. Nada mais.

Jorge de Sena, de "Conheço o sal", in Antologia 40 Anos de Servidão - Circulo de Poesia, Morais Editores

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Jornalismo rasca

De facto, algo de mau se passa no jornalismo da RTP, ou somos nós que andamos com azar. Hoje no Jornal da Tarde, noticiava-se a ida do árbitro de futebol Olegário Benquerença ao Mundial da África do Sul. A dada altura da notícia, ilustrada por imagens de futebol, ouviu-se esta pérola de informação, sobre o dito árbitro: -"...é sócio de uma agência de... é militante socialista... e foi mandatário de Manuel Alegre..."

Já é de estranhar, quando se fala dos méritos de alguém para a função que exerce no futebol, que se diga que é sócio disto ou daquilo. Mas que porra de interesse tem para o futebol a actividade política de alguém a ele ligado? Todos sabemos que se diz à boca cheia que o futebol e a política andam de mãos dadas. Ao ouvir esta desinformação jornalistica (??), eu pergunto: será isso culpa da política, do futebol, ou deste jornalismo rasca?
Volta Mário, estás perdoado; os teus seguidores honram-te o nome. Direi mais, os teus seguidores honram-te o nome. Valha-nos São Pancrácio.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O fim da linha

Já aqui escrevi sobre ele. Já disse aqui que não aprecio particularmente as suas crónicas, embora esteja de acordo com algumas delas. Já aqui, pelo seu estilo, lhe chamei "guru" do jornalismo. Refiro-me a Mário Crespo, de cujas crónicas publicadas no JN, recebi (e por certo vou continuar a receber) muitíssimos mails. E esta que está a suscitar tanta celeuma, e as opiniões mais diversas, merece também a minha atenção. Sabemos que o seu "ódio de estimação" é o PM (particularmente) e o Governo, como, de resto,  o é de muita gente, que agora aproveitou para aplaudir delirantemente a dita crónica. O jornalista quando aceitou escrever para o JN soube qual o estatuto editorial do jornal e as condições em que o faria. Mas aceitou. Eu pergunto-me:-então um bom jornalista, comete o erro deontológico de escrever sobre pessoas que detesta, baseando-se num mail em que "se diz que alguém ouviu dizer"? E o contraditório? Ele próprio diz na crónica que "Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta" Mas ele não dá o exemplo.
 Vamos lá ver então se há censura ou manipulação.
Censura, quando foi ele mesmo que retirou a crónica depois de lhe ser comunicado que o escrito consubstanciava mais uma notícia (relatava factos) do que uma opinião? Eu questiono-me, porquê esta, e porquê agora, quando crónicas anteriores foram mais violentas e não foram retiradas? Eu li-as todas no JN, portanto, como diria o outro, sei do que falo.
Manipulação é ele mesmo que a practica. De facto, deixa logo de entrada a dúvida, quando refere que os ministros e um executivo de uma estação de tv se "encontraram". Marcaram encontro ou este foi ocasional? Ai esta semântica!
Manipula quando não diz quem é o executivo, que por acaso era o seu chefe de programas na estação em que trabalha, que estava ali na companhia de uma colaboradora. Seria para não perder o emprego?
Alguém acredita que tendo-se encontrado à saída do restaurante (como uns dizem) ou enquanto se serviam (como dizem outros), e logo nesta situaçõe particular, não tivessem reparado que alguém os escutava? Está bem, está!
Alguém acredita que estando num lugar público (e pelos vistos mal frequentado) falassem num tom perfeitamente audível, sobre um assunto que desejariam manter só entre eles? Tá bem, tá, melga!
E quem será a tal senhora culta que lhe enviou o mail? Um dia vai saber-se.
O fim a atingir com esta história muito mal contada, adivinha-se. E eu já perdi muito tempo com ela. E perder tempo com ruins defuntos é mau. A crónica é um nojo.´Premonitório ou intencional o seu título é "O fim da linha". Só espero não a ouvir de viva voz, na voz incrivelmente pastosa e sonolenta do seu autor.
Desculpem lá carantonhas, mas eu tinha que escrever isto.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Desejos I

Como é hábito, na passagem de ano lá engoli as doze passas e pedi os desejos respectivos. Aquele que pedi com mais veemência foi que:
- os nossos políticos, quer os dos aparelhos partidários, quer os que colocámos na AR, se esfalfem a trabalhar para resolver os problemas do povo  e do país, que foi para isso que foram eleitos, e não para tratar dos seus próprios.

Se não o fizerem, mais dia menos dia, este país será um pantano e muitos delesafundar-se-ão também. Se o fizerem, verão que serão recompensados.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Candidatos


Democracia é a arte de dizer "cãozinho bonito" até se encontrar uma pedra
Wynn Catlin
Modernamente, todo aquele que pretende um cargo de nomeação ou eleição, candidata-se, é o candidato. Só que hoje quem se candidata veste-se como lhe agrada, desde o mais formal fato e gravata até à veste mais indiferenciada (parece que agora se diz “casual”). Já imaginaram o ridículo que seria hoje, se alguém se apresentasse a disputar um cargo, todo de branco vestido? Pois, mas é daí que deriva a palavra candidato, através do latim candidatu, “o que vem vestido de branco” (não nos esqueçamos de palavras como cândido, candura, etc.) De facto, na antiga Roma, todo aquele que concorria a um cargo político devia ser homem sem mancha, puro, de consciência limpa – “branco”, resumindo.
Daí que quando apresentavam a sua candidatura, envergavam uma toga de alvura imaculada. Por extensão o termo passou a aplicar-se a todo aquele que concorria a qualquer cargo. Os meus caros carantonhas desculpem, mas eu cá, com o meu espírito retorcido, hoje, obrigava a que todos os pretendentes, ou concorrentes (palavras que querem dizer o mesmo que candidato) se apresentassem de negro. Sabem o que eu quero dizer, não sabem? Pronto, já disse.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Idiotas

Democracia é o nome que damos ao povo de cada vez que necessitamos dele.
Robert de Flers

Quantas vezes, ao depararmos com uma qualquer palavra, por mais simples que ela seja, não nos interrogámos sob a sua proveniência? Virá do latim, do grego, do árabe, ou até de uma outra língua?
Hoje, e porque estamos ainda em campanha eleitoral para as autárquicas, lembrei-me de trazer aqui uma palavra, que embora o povo que menciono ali em cima, nunca, por certo, tenha pensado nisso, tem uma relação directa com a política.
Nas cidades-estado da antiga Grécia, polis, quem governava ou detinha o poder eram os políticos. Em oposição a estes, estavam os que não tinham direitos (estrangeiros, escravos, mulheres) e os que por não terem vontade se alheavam da condução dos negócios da cidade, e ignoravam as decisões dos estrategos. Recebiam o nome de idiótes. Daqui, e através do latim idiota, nasceu o nosso idiota, que ainda na sua origem, por falta da tal informação política, ganhou o sentido de ignorante, sem instrução. A palavra surge na nossa língua, através do francês, em meados do séc. XIX, com o sentido de parvo, tolo. E aqui está como uma palavra que nos surge através da política, tem hoje um significado completamente diferente. E então quantos idiotas andarão por aí, enfronhados na política, a governar-nos?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Asfixia democrática

Imagem "roubada a chriisaliis.blogspot.com


A Dona Freira dos Leites, passada a aborrecida constipação que recentemente a atacou, segundo os noticiários televisivos deslocou-se à Madeira a fim de participar numa qualquer iniciativa organizada pelo sátiro presidente do governo regional. E então, a senhora questionada e pressionada pelos jornalistas, ainda sobre a liberdade de imprensa, disse esta coisa extraordinária, referindo-se ao sítio onde estava e ao seu correlegionário: "Ao contrário do que acontece no Continente, aqui não há asfixia democrática". Segundos depois, seguindo a mesma linha, o sátiro respondendo a uma pergunta, disse mais ou menos isto: "Liberdade democrática (o que quer que isso signifique, digo eu) é eu dizer o que penso e não o que os jornalistas querem". Se estes assuntos, -em política ou não-, não fossem demasiado sérios, era de rir a bandeiras despregadas. O que estes dois mereciam era levar com as "bolas" do Padre Inácio, nas trombas.
Diga-se que aqui os jornalistas são menos actores do que vítimas da pesporrência daqueles dois.

Jornalistas, trombas, trouxeram-me à memória a história que contava o Mário-Henrique Leiria.
Cá vai:

EXAGEROS

"O Alfredo atirou o jornal ao chão, irritadíssimo, e virou-se para mim:
- Estes jornalistas! Passam a vida a inventar coisas, é o que te digo. Então não afirmam que, no Sardoal, foi encontrado um frango com três pernas!Vê lá tu! È preciso ter descaramento.
Ajeitou-se melhor no sofá e, realmente indignado, coçou a tromba com a pata do meio."

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Bertold Brecht

Do rio que tudo arrasta
se diz que é violento
Mas ninguém diz violentas
as margens que o comprimem.

Bertold Brecht (10 de Fevereiro de 1898, Augsburg - 14 de Agosto de 1956, Berlim) foi um destacado dramaturgo, poeta e encenador do século XX. Influenciou profundamente o teatro contemporâneo, através dos seus trabalhos artísticos e teóricos, especialmente através da companhia que fundou, o Berliner Ensamble. Com o advento do nazismo e a eleição de Hitler em 1933, exila-se na Áustria, depois Suiça, outros países, até chegar aos Estados Unidos. Obras teatrais mais conhecidas: Mãe Coragem, A boa alma de Setzuan, A vida de Galileu, O círculo de Giz Caucasiano e Ópera dos Três Vinténs.

O "Ensina-me"

Quando era novo, mandei fazer numa tábua
A canivete e nanquim a figura dum velho
A coçar-se no peito por causa da sarna
Mas de olhar implorativo porque esperava que o ensinassem.
Uma segunda tábua para o outro canto do quarto,
Que devia representar um moço a ensiná-lo,
Nunca mais foi feita.

Quando era novo tinha a esperança
De encontrar um velho que se deixasse ensinar.
Quando for velho, espero
Que se encontre um moço e eu
Me deixe ensinar

Bertold Brecht, in "Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e Outros *Poemas", tradução do Dr. Paulo Quintela.

Para terminar, um texto de Brecht, que é a perfeita evocação da consciência política "O Analfabeto Político", de flagrante actualidade:

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguer, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e enche o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política,nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais"