domingo, 5 de dezembro de 2010

You've Got A Friend


Num dia ventoso, frio, extremamente chuvoso, em que até a luz faltou aqui na zona, durante mais de uma hora - quase ia estragando o jantar - faz bem, reconforta-nos, ouvir esta bonita balada nas vozes quentes destas divas da canção. Deliciem-se também, caros carantonhas.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Poema com Natal por tema

Hoje é a vez do poeta Sebastião da Gama nos trazer a sua visão do Natal

PRESÉPIO

Nuzinho sobre as palhas,
nuzinho - e em Dezembro!
Que pintores tão cruéis,
Menino, te pintaram!

O calor do seu corpo
P'ra que o quer tua Mãe?
Tão cruéis os pintores!
(Tão injustos contigo,
Senhora!)

Só a vaca e a mula
Com seu bafo te aquecem...
- Quem as pôs na pintura?

Sebastião da Gama nasceu em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal. Formou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa e exerceu o professorado em Lisboa, Setúbal e Estremoz. O poeta fica na história da literatura pela sua dimensão humana no convívio com os alunos. Literariamente afirmou-se pelo amor à natureza, ao ser humano.Morreu precocemente vitimado pela tuberculose.

Bichos

Isto vai de mal a pior. Estamos entregues aos bichos. Irresponsabilidade. Ausência de autoridade. Demissão na assumpção de direitos. Negação de deveres. Tudo isto se pode dizer acerca do país em que desgraçadamente vivemos. Tanto no colectivo como no individual. Do colectivo todos falamos, de preferência para criticar. Do individual, falam alguns. Ena pai, tanta conversa para chegar a Évora, pois é de Évora (eu não sei que tenho em Évora/que de Évora me estou lembrando), mais concretamente do canil da cidade, de alguns bichos lá instalados, e em especial de um bicho-homem (alguns chamam bestas aos bichos) conhecido por veterinário, (i)rresposável pelo canil que quero falar. Porque de há alguns dias para cá têm acontecido, no canil, coisas reprováveis, indignas de um ser (?) cuja missão nobre  é cuidar de animais. Mandou entanasiar cães que já estavam sob a responsabilidade de adoptantes. Proíbiu duas colegas de libertar os animais. Foi mais longe. Proíbiu-as de exercer funções. Depois, só ao fim de seis dias consentiu na libertação de um cão que havia sido apanhado na rua. Isto só depois de a dona do animal, não do bicho-homem, entenda-se, ter metido um "empenho". Tudo isto embrulhado em respostas, no mínimo mal educadas, ao ser contactado. A última vem na imprensa de hoje. Um cavalo que puxava uma carroça, ficou ferido num acidente de viação e foi levado para o canil municipal, com suspeitas de uma pata partida. Ficou sem tratamento e sem alimentação adequada, segundo um criador de cavalos que se deslocou ao canil, onde foi informado pelo único tratrador presente, que o veterinário municipal estava de férias e que mais ninguém podia cuidar ou prestar assistência ao cavalo. Pergunto: na Câmara, não haverá um superior hierárquico deste pobre bicho (não o cavalo) que lhe peça responsabilidades e o ponha a limpar os dejectos (ia chamar-lhe m...., não chamo, que a merda não merece) dos animais que ele tão mal trata? É urgente que alguém providencie ao seu afastamento. Os animais exigem-no. E sabem que mais? Valha-nos São Pancrácio. Bom domingo, caros carantonhas. 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Poema com Natal por tema III

Miguel Torga é o poeta que nos deixa hoje um dos seus poema natalícios (deixou vários sobre o tema, nos seus Diários).

NATAL

Ninguém o viu nascer.
Mas todos acreditam
Que nasceu.
É um menino e é Deus.
Na Páscoa vai morrer, já homem,
Porque entretanto cresceu
E recebeu
A missão singular
De carregar a cruz da nossa redenção.
Agora, nos cueiros da imaginação,
Sorri apenas
A quem vem,
Enquanto a Mãe,
Também imaginada,
Com ele ao colo,
Se enternece
E enternece
Os corações,
Cumplice do milagre, que acontece
Todos os anos e em todas nações.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Poema com Natal por tema II

Um pequeno (grande) poema, perfeitamente actual, de um autor brasileiro, João Saraiva.

NATAL

Pobre menino Jesus!
Homens e bois te adoraram
e mais tarde, numa cruz,
homens Te martirizaram!

Vinte séculos depois
os homens não melhoraram
e ainda são mansos os bois!

Metriologia??

Nos telejornais de hoje, dos nossos canais televisivos, as condições metriológicas continuam a ser adversas. No entretanto, para se vingarem desta iliteracia militante, as condições meteorológicas pedem licença à meteorologia e regorgitam cada vez mais neve, e ó suprema vingança, gelo e ainda mais frio. Valha-nos São Pancrácio...

(Fotografia da cidade da Guarda, com neve)

E então, carantonhas com e sem frio, já ouviram falar de meteoros? Pois é daí, caros madraços, que vem a meteorologia, do grego meteóros, "que está no alto, elevado nos ares", do prefixo metá "além de" e do verbo aeírein "levantar". Usava-se na forma neutra plural (metéora) para designar os fenómenos que acontecem na atmosfera (ex: os ventos, o arco-iris, os relâmpagos e as estrelas cadentes). São estes significados que a palavra tem no português já desde o séc. XVII. Daí que a ciência que estuda os fenómenos atmosféricos para prever o tempo, se chame meteorologia

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Poema com Natal por tema

A partir de hoje, e até ao dia de Natal, vai aparecer por aqui um poema, como se diz no título, com o Natal por tema. Diariamente. Comecemos então com um poema de Fernando Pessoa, de quem passou ontem,30 de Novembro, o 75º aniversário da morte.

NATAL

Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!