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sábado, 14 de maio de 2011

Tributo a Mário Quintana


Caros carantonhas, hoje vou falar-vos de Mário Quintana um dos grandes poetas brasileiros, falecido em 5 de Maio de 1994. Quintana foi o tal que disse que “escrever versos é fácil, escrever poesia é que é difícil”. Foi durante toda a vida jornalista, e também tradutor e essencialmente poeta. Esta é aliás a sua faceta mais conhecida. Foi considerado o poeta das coisas simples, com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica. Nunca casou, não teve filhos e viveu sempre em hotéis. Os seus poemas eram geralmente curtos e concisos
 OS POEMAS
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...


Cultor, como se disse, da ironia, algumas pequenas frases em forma de poemas
“O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede. Conheço um que já devorou três gerações da minha família”

“A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda”

(O Trágico Dilema)
“Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos é burro"

E finalmente, a mais irónica verdade:
“A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos”


terça-feira, 13 de abril de 2010

Beco sem saída?

Felizmente que por cá, neste cantinho, a taxa de analfabetismo é já muito baixa. Infelizmente a taxa de iliteracia (ou literacia) continua alta, e se o nosso ensino se mantiver no actual estádio, existe uma forte tendência para aumentar, continuaremos a ter muito analfabeto funcional. Vem isto a propósito de um acto de vandalismo noticiado no JN. Uns quantos energumenos incendiaram alguns ecopontos na Praça Velasquez (para mim vai continuar a ser). A notícia completava a fotografia. A notícia dizia que segundo o taxista que presenciou a selvajaria, "eram cerca de três jovens". Vá lá, para tornarmos a coisa mais equilibrada, não seriam 3,25 nem 3,75 os vandalos, mas um número mais redondo, 3,50. Pronto.
E acrescenta o jornalista (?) escrevinhador, agora da sua lavra, que terão sido incendiados cerca de quatro ecopontos. E digo eu, para sermos mais exactos, arredondemos para três e meio.  Fica melhor, tem mais pinta. Mas não só nos jornais isto acontece. Também na rádio e na televisão. E o mais caricato é quando, o «pivot» diz, por exemplo, "béco" e na reportagem qe ilustra a notícia o jornalista diz "bêco". Pois é, carantonhas, não sei o que acontecerá quando vier aí em força, e obrigatoriamente, o novo acordo ortográfico.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Palavras para quê (II)


Reportagem de rua, na RTP, hoje. O tema era os 100 milhões do Euromilhões.
Repórter: - O que é que fazia se lhe saísse o euromilhões?
Entrevistado: - (breve hesitação)-Comprava uma casa
Repórter: - Mas comprava a pronto ou pedia crédito?

Houve um repórter (grande em tamanho, talento e sabedoria) que se ouvisse esta "brilhante" tirada do reporterzinho diria:- "E esta heim!"
Não é de admirar, com os professores que andam lá pelas escolas de jornalismo. Não digo mais nada, posso cometer alguma injustiça para com alguns professores. Mais palavras para quê? É um reporterzinho português! Será que estudou na Independente, e o seu professor foi o Mário Crespo?

domingo, 10 de maio de 2009

Enfim, "bom" jornalismo



Ouvido ontem no telejornal da RTP, acerca do avião da Lufthansa que aterrou em Genebra para assistência a alguns feridos, devido à turbulência que atingiu o avião.

-"(...) no interior (do avião) seguiam Jaime Gama e Dulce Pontes, que nada sofreram."

E esta, hem?

Assim vai o nosso jornalismo!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Jornalismo...


J

O

R

N

A

L

I

S

M

O



Imagem"roubada", com a devida vénia, a prodygio.livejournal.com

Desde segunda-feira que estou preparado para receber na caixa de correio, como ultimamente tem vindo a acontecer, vindo das mais insuspeitas proveniências, o habitual artigo de opinião, no JN, do novo guru do jornalismo português, o sr. Mário Crespo. Devo dizer que uma ou outra vez já concordei com o que escreveu. Mas comecei a ter sérias reservas quando começou a escrever contra o Governo e mais concretamente contra o PM. Repare-se que digo contra e não sobre. Definitivamente não aprecio o seu estilo televisivo. A fala não é fluente, é arrogante e por vezes insolente. Deturpa e insinua o que, e como, lhe dá na real gana. Mas tem muitos adeptos. Digamos que é o supra-sumo do mau jornalismo que actualmente se faz em Portugal. Esta é a minha opinião. Tenho direito a ela. O mesmo direito que tem o sr. Crespo e os seus colegas, em opinar sobre tudo e sobre todos. O jornalismo que hoje se pratica, usa e abusa despudoradamente da desinformação, traduzida na falta de rigor, ou então, na manipulação com fins inconfessáveis Esta maneira de estar no jornalismo, leva a que me interrogue se os jornalistas, especialmente os que fazem investigação e os que opinam, não deveriam ser submetidos ao “inevitável escrutínio” (expressão usada pelo “inevitável” Vasco Pulido Valente, no Público) a que submetem os atingidos pelos seus artigos? O quarto poder, já que de um autêntico poder se trata, não pode fugir à devassa a que se julga no direito de submeter os outros. E por aqui me fico, pois acho que já gastei cera demais com tão ruins defuntos. Mas não pude resistir à tentação.