segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Deserdados da sorte

Caras e caros carantonhas, gostava de pôr à vossa consideração um problema que nestes tempos de crise me atormentam. Qualquer ajuda será bem vinda. Cá vai: A minha senhora tem uma reforma de € 300 00.Eu também estou reformado e como não posso trabalhar para nos sustentar aos dois, gostaria que me dissessem se reuno condições para me acolher sob a asa protectora do presidente candidato a presidente.
Carantonhas, não liguem, o que aqui está escrito é fruto de uma imaginação delirante (será?), apeteceu-me apenas brincar aos deserdados da sorte.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Quando os anjos nos visitam


Caros carantonhas, hoje apeteceu-me dar-vos música. E nada melhor que trazer aqui uma bela jovem que se deixou tocar pela magia da música e é uma eximia executante. Chama-se Ana Vidovic. Nasceu na cidade croata de Karlovac. È uma virtuosa da guitarra, que começou a aprender a tocar aos 5 anos.
Deliciem-se. É um bom incentivo para começar a semana de trabalho.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Fadices




Fotografia de Anaas


Sessão da Onda Poética de ontem, em Espinho, em que a parte temática foi preenchida por poesia de João Habitualmente. Depois desta, como é usual, acontece o momento dos espontâneos, no qual cada um dos presentes, tertulianos ou não, pode ler o que entender. O momento do Carantonha-Mor foi preenchido com a leitura de um texto deliciosamente absurdo, de Mário Henrique-Leiria.

A BOA FADA, A MENINA DOS CABELOS LOUROS E O SAPINHO ENCANTADO

A menina dos cabelos louros, estava toda contente a brincar no jardim, quando lhe apareceu um sapo aos pulinhos, muito engraçadinho.
- Já sei quem és, disse logo a menina, satisfeitíssima com o acontecimento.
- És o príncipe encantado que vem para casar comigo. Quem me dera ter agora aqui uma boa fada que te desencantasse…
Ouviu-se um estoiro e a Boa Fada apareceu logo, a sacudir-se da poeira da nuvem que a trouxera (era uma nuvem da Siderurgia, é evidente). Virando-se para a Menina que estava embasbacada – o caso não era para menos – pronunciou-se:
- Menina dos Cabelos Louros, vou fazer a tua vontade. Vou desencantar já, este sapinho tão engraçado. Tirou o pau da manga, disse “gorumzungoro”, e deu uma bordoada certeira na cabeça do bichinho.
O sapinho fez “oin” e caiu logo para o lado, que é o que acontece aos sapos que levam uma cacetada em cheio. Morto.
A Boa Fada desapareceu imediatamente, que é também o que acontece sempre às Boas Fadas que por aí andam às baldas, a fazer coisas.
Nada disso impediu o Menina dos Cabelos Louros, de casar, anos mais tarde, com o “Gutierrez” de “Máquinas & Ferramentas, SARL”.
E tiveram cinco sapinhos muito bonitinhos, todos de cabelos louros, vejam lá!

Anatomia



Fotografia de Anaas

Sessão da Onda Poética de  ontem, em Espinho, (título da sessão: nice to eat you) abordando a vertente erotismo da poesia e textos de João Habitualmente.Aqui leio um texto inédito.

ANATOMIA
                
Gosto de estudar anatomia, é das coisas boas da vida, daquelas que dão alegria. Em pequeno fiz autópsias a frangos de aviário na banca da cozinha, serrei caracóis apanhados no sono aos pés dos jarros, esventrei salamandras de bojo laranja caçadas na mina, ajudei minha mãe a tirar com um alfinete a pevide às galinhas, operei sapos que ficavam moribundos ao serem calcados em noites de chuva. E, lição das lições, brinquei aos médicos com a Cacilda – era já o gosto da anatomia por mim abaixo, anunciando-se com a inexplicabilidade duma vocação. Gosto, pois, dessa alegria, a do corpo-a-corpo da anatomia.
Mas não estudo por manuais – fi-lo uma vez e nunca mais. Nem pelos atlas do corpo humano, reduzem a maravilha que somos a um inerte fulano. Não gosto de grandes calhamaços. Calhamaços não: são maçudos e escaramaços. Estudar por canhenhos tais é coisa do antes, hoje está ultrapassada e obsoleta. O calhamaço é espesso e lê-lo é lento - Obsolento.  Também não gosto de estudar por esqueletos. É frio e lúgubre estudar por esqueletos, são uma carga de ossos e dá uma carga de trabalho estudar a matéria osso a osso – ser médico é luz e não a triste vida de quem mergulhou num poço. O esqueleto olha para nós com aqueles buracos nos olhos e tem a expressão muito inexpressiva – tão inexpressiva que mete impressão. Estudar pelos seus ossos é um não sair do sítio, uma trepidação contra o marfim do seu corpo de sepulcro. Os esqueletos são o tempo parado, antiquados e vagarosos – esquelentos. Gosto de métodos mais velozes, desses que dá Deus a quem mostra as nozes. Gosto de estudar anatomia, ai isso gosto, gosto de a devorar. Em casa da Rita: num instante se despe, num instante me excita. E ali ficamos pela tarde a fio a contemplar o milagre: frondosos seios no lugar da mirrada grade costal, uns lábios túmidos cobrindo a cremalheira mandibular, fartas coxas a tapar o gelo oblongo dos fémures. Ah, e que dizer à vibrante região das ancas, à planície serena do ventre, ao triângulo triunfante do púbis, chamava-lhes o manual a bacia! Quem pode assim estudar anatomia?

                                                                          
                                                                                             

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Chegar aqui

Hoje, na Biblioteca de Gaia, um grupo de cidadãos independentes, apoiantes da candidatura de Manuel Alegre à Presidência, organizou uma sessão de poesia do cidadão-poeta Manuel Alegre. Estive lá. Acabo de chegar. Fui convidado para abrir a sessão com o poema "Apresentação". Além deste, disse também o poema "Chegar Aqui". É um poema que nos fala do nosso passado, também do nosso presente, e se interroga quanto ao futuro. É um poema intemporal, já que foi escrito há mais de quarenta anos.
 Ei-lo:

CHEGAR AQUI

É claro que tudo isto é uma chatice
Estávamos habituados a acreditar em qualquer coisa
Fosse a Terra Prometida O Dia de Amanhã ou A Esperança
Assim chamada para ser sabe-se lá o quê
Brasil ou África talvez Europa
Havia uma fé uma fezada uma saída
Havia aquela luz de que falou Jorge de Sena
Esperança era o seu nome
Uma pequena luz Não isto

A aventura partiu para outros lados
A retórica aumenta
A vida baixa

Não há lugar para a beleza
Não há tempo
Eis a cidade com seu rosto desolado
Degradação é o nome destes dias
Amigos que desgraça etc. António Nobre
Ou Camilo Pessanha
Eu vi a luz
Em um país perdido
Mas agora nem essa É só chatice
E perdição

E navegámos tanto tempo
São Gabriel Santa Maria Frol de la Mar
Não há dúvida temos um passado
Talvez de mais
Talvez tanto que não deixa lugar para o futuro

Mas fomos pelo mar chegámos longe

E agora Portugal que será de ti
Se não formos capazes de chegar
Aqui

 Carantonhas, tenham um bom fim de semana. Aproveitem-no bem, se possível lendo poesia.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O primeiro poema de 2011

Ora aqui está o primeiro poema de 2011. É um poema do poeta brasileiro Mário Quintana. Fala-nos da vida e do seu percurso    no mapa do tempo. Mas será que a vida corre no tempo, como nos diz o poeta? Fica a dúvida. E o número 666. O número da besta.Que de alguma forma está também relacionado com o tempo.

SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Mario Quintana ( In: Esconderijo do tempo)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Bom começo de 2011


Para quem gosta de futebol e dos Gato Fedorento, que bom começar o ano dando música.
Confesso que não conhecia esta versão e...gosto. Espero que haja carantonhas que gostem também. E se não for pedir muito, que gostem também dos Blind Zero. Por mim, e já que as coisas estão bem encaminhadas, vou tentar decorar o poema em inglês para poder cantá-lo lá mais para o meio do ano. Viva a música e viva o futebol.