domingo, 29 de janeiro de 2012

Silêncio e tanta gente

"Silêncio e tanta gente" é, quanto a mim, uma das melhores canções da música portuguesa, pelo poema, porque de um poema se trata, e pela orquestração. Parece-me uma boa saída de domingo~e uma excelente preparação par o dia de trabalho de amanhã. Bom resto de domingo.

Ai as crianças

"Eles podem contar tudo o que querem de nós, a quem querem. Mesmo à nossa frente.
Nós, se dissermos alguma coisa é logo castigo"
In "Livro de reclamações das crianças" de Eduardo Sá

E depois digam que elas não avisam.
Fiquem-se com um texto poético de Gabriela Moura

RAIO DE MANIA

Era uma vez…

Começavam sempre assim as histórias que me contavam em criança.
De encantar, diziam…

- Bruxa gigante lobo mau e papão
- Caçador jogador e muito vilão.
De história em história, fui sentindo que me tinham andado a enganar quando descobri que no fim, quem comia sempre a princesa, era afinal o príncipe encantado, que ainda por cima lhe fazia muitos meninos e, além disso, também cedo percebi que afinal, nem sequer existia o bondoso pai natal!

Porque raio passamos a vida a enganar as criancinhas?



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

De volta

De volta, num novo ano a dar os primeiros passos,  ao convívio dos poucos carantonhas que habitualmente me seguem. E nada melhor do que começar falando de poesia. Fiquem então com o


MISTÉRIO DA POESIA

O poeta brasileiro, Mário Quintana, disse um dia que “fazer versos é fácil, escrever poesia é que é difícil”. Será então que o acto poético é fruto de algum mistério? António Gedeão, apesar de nos dizer que “todo o tempo é tempo de poesia”, terá julgado que sim, uma vez que termina o seu poema “Enquanto” com o verso ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA”. Mas isto serão os adultos/poetas a pensar, porque “as crianças, Senhor” não pensam do mesmo jeito. Vejamos o que nos diz a Maria Carlota, de 7 anos: “fazer versos é só imaginar coisas bonitas e já está”. Talvez seja por isso que Portugal é um país de poetas. Senão vejamos, como escreve o João Nuno, arcozelense de 9 anos:

Chamo-me João Nuno.
Poetas há milhões
Mas igual a mim
Só o Luís de Camões.

 Retirando algum exagero ao exagerado (passe o pleonasmo) entusiasmo do João Nuno, que hoje será um jovem entre os vinte e os trinta anos, e talvez, quem sabe, poeta, eu, como Fernando Pessoa, direi que sim, “o melhor do mundo são as crianças”. Quem como elas tem sensibilidade para nos dizerem coisas tão bonitas (que farão roer de inveja alguns poetas da nossa praça, pelo menos os que escrevem versos e não poemas), como “a poesia é feita aos molhinhos/ou em verso”. Ou ainda, “se eu não existisse ficava triste”. E esta pequena pérola, com que, como recompensa do amor de uma mãe, a sua filha de 7 anos, demonstra o seu amor de filha: “a minha mãe é um amor/que caiu do céu”. E nada melhor para terminar, do que este verso de uma Maria João, de 4 anos: “rimar é parecer”. E assim, pela boca das crianças, se define a poesia.