sábado, 6 de fevereiro de 2010

Jornalismo rasca

De facto, algo de mau se passa no jornalismo da RTP, ou somos nós que andamos com azar. Hoje no Jornal da Tarde, noticiava-se a ida do árbitro de futebol Olegário Benquerença ao Mundial da África do Sul. A dada altura da notícia, ilustrada por imagens de futebol, ouviu-se esta pérola de informação, sobre o dito árbitro: -"...é sócio de uma agência de... é militante socialista... e foi mandatário de Manuel Alegre..."

Já é de estranhar, quando se fala dos méritos de alguém para a função que exerce no futebol, que se diga que é sócio disto ou daquilo. Mas que porra de interesse tem para o futebol a actividade política de alguém a ele ligado? Todos sabemos que se diz à boca cheia que o futebol e a política andam de mãos dadas. Ao ouvir esta desinformação jornalistica (??), eu pergunto: será isso culpa da política, do futebol, ou deste jornalismo rasca?
Volta Mário, estás perdoado; os teus seguidores honram-te o nome. Direi mais, os teus seguidores honram-te o nome. Valha-nos São Pancrácio.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Palavras para quê (II)


Reportagem de rua, na RTP, hoje. O tema era os 100 milhões do Euromilhões.
Repórter: - O que é que fazia se lhe saísse o euromilhões?
Entrevistado: - (breve hesitação)-Comprava uma casa
Repórter: - Mas comprava a pronto ou pedia crédito?

Houve um repórter (grande em tamanho, talento e sabedoria) que se ouvisse esta "brilhante" tirada do reporterzinho diria:- "E esta heim!"
Não é de admirar, com os professores que andam lá pelas escolas de jornalismo. Não digo mais nada, posso cometer alguma injustiça para com alguns professores. Mais palavras para quê? É um reporterzinho português! Será que estudou na Independente, e o seu professor foi o Mário Crespo?

Palavras para quê! (I)


Ouvido hoje ao deputado madeirense Guilherme Silva, do PSD, na discussão da Lei das Finanças Regionais: - "Não há açoreanos, nem madeirenses, nem continentais, há portugueses".
Pois. A cartilha é a mesma do chefe. Era bom que estes sujeitos dessem a conhecer que as receitas para a Madeira (e Açores) saem dos impostos pagos pelos continentais, que quando
é para insultar, são "cubanos", e quando é para bajular são continentais.
Mais palavras para quê? É um artista português (da Madeira)!

O chapéu aí em cima, que o "palhaço da ilha" usa no carnaval, é também o chapéu do Orçamento. Apetece-me tanto chamar São Pancrácio.

Poema para começar o dia

Hoje, porque acho que é bom começar o dia assim, trago aqui um poema de José Craveirinha, poeta moçambicano, já falecido. Poema escrito na prisão, na condição de preso político. Maltratado por Portugal. Maltratado em Moçambique pelos moçambicanos. Poema que nos fala e apela à coerência e à verticalidade.

Aforismo

Havia uma formiga
compartilhando comigo o isolamento
e comendo juntos.

Estávamos iguais
com duas diferenças:

Não era interrogada
e por descuido podiam pisá-la.

Mas aos dois intencionalmente
podiam pôr-nos de rastos
mas não podiam
ajoelhar-nos.

Tenham um bom começo de dia, a espreitar já o fim de semana

"O Homem que Contava histórias aos Animais

Já há muito tempo (muito mesmo) que não falo aqui das minhas actividades teatrais. Chegou o momento. O Teatro da Carantonha tem re-pronto (pode-se dizer assim?) para reapresentar nas escolas do 1º Ciclo, o seu espectáculo " O homem que contava histórias aos animais". Trata-se de uma leitura de adaptações de textos de livros incluidos no Plano Nacional de Leitura. Contam-se também contos tradicionais.


Lendo histórias e contando contos, procura-se incentivar o gosto dos mais pequenos pela leitura.
O espectáculo tem a duração de um tempo de aula e é desempenhado por um só actor. Para os possíveis interessados, e espera-se que sejam muitos, aqui ficam os contactos:
Tm 963062202.
E-mail:carantonha@gmail.com
Preços a combinar (dependem sempre das deslocações)

Portanto, caros carantonhas, ponham lá as vossas influências em campo e recomendem.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O fim da linha

Já aqui escrevi sobre ele. Já disse aqui que não aprecio particularmente as suas crónicas, embora esteja de acordo com algumas delas. Já aqui, pelo seu estilo, lhe chamei "guru" do jornalismo. Refiro-me a Mário Crespo, de cujas crónicas publicadas no JN, recebi (e por certo vou continuar a receber) muitíssimos mails. E esta que está a suscitar tanta celeuma, e as opiniões mais diversas, merece também a minha atenção. Sabemos que o seu "ódio de estimação" é o PM (particularmente) e o Governo, como, de resto,  o é de muita gente, que agora aproveitou para aplaudir delirantemente a dita crónica. O jornalista quando aceitou escrever para o JN soube qual o estatuto editorial do jornal e as condições em que o faria. Mas aceitou. Eu pergunto-me:-então um bom jornalista, comete o erro deontológico de escrever sobre pessoas que detesta, baseando-se num mail em que "se diz que alguém ouviu dizer"? E o contraditório? Ele próprio diz na crónica que "Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta" Mas ele não dá o exemplo.
 Vamos lá ver então se há censura ou manipulação.
Censura, quando foi ele mesmo que retirou a crónica depois de lhe ser comunicado que o escrito consubstanciava mais uma notícia (relatava factos) do que uma opinião? Eu questiono-me, porquê esta, e porquê agora, quando crónicas anteriores foram mais violentas e não foram retiradas? Eu li-as todas no JN, portanto, como diria o outro, sei do que falo.
Manipulação é ele mesmo que a practica. De facto, deixa logo de entrada a dúvida, quando refere que os ministros e um executivo de uma estação de tv se "encontraram". Marcaram encontro ou este foi ocasional? Ai esta semântica!
Manipula quando não diz quem é o executivo, que por acaso era o seu chefe de programas na estação em que trabalha, que estava ali na companhia de uma colaboradora. Seria para não perder o emprego?
Alguém acredita que tendo-se encontrado à saída do restaurante (como uns dizem) ou enquanto se serviam (como dizem outros), e logo nesta situaçõe particular, não tivessem reparado que alguém os escutava? Está bem, está!
Alguém acredita que estando num lugar público (e pelos vistos mal frequentado) falassem num tom perfeitamente audível, sobre um assunto que desejariam manter só entre eles? Tá bem, tá, melga!
E quem será a tal senhora culta que lhe enviou o mail? Um dia vai saber-se.
O fim a atingir com esta história muito mal contada, adivinha-se. E eu já perdi muito tempo com ela. E perder tempo com ruins defuntos é mau. A crónica é um nojo.´Premonitório ou intencional o seu título é "O fim da linha". Só espero não a ouvir de viva voz, na voz incrivelmente pastosa e sonolenta do seu autor.
Desculpem lá carantonhas, mas eu tinha que escrever isto.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Poema para acabar o dia

O meu amigo Eduardo Roseira, é um excelente divulgador de poesia, que também escreve. Hoje, para acabar o dia, fui “roubar” (ai se ele sabe) ao seu blog Ecos do meu pátio, este poema que faz parte do seu livro “o sorriso de deus

O Papel sorri

silenciosamente,
de forma quase inaudível
o lápis sussurra palavras ao papel.
e o papel sorri.


letra após letra,
o lápis acaricia
a alva folha
que de felicidade sorri.


do lápis
as ideias brotam
sobre o papel
e ambos fazem nascer
a poesia.

lápis e papel
trocam afagos com letras.
dão abraços com palavras.
são sentimentos
através das ideias
e em conjunto constroem o poema
até à palavra fim.


(…o lápis cansado
deita-se em merecido descanso…
…enquanto de alma preenchida
o papel sorri.)

Ora digam lá se depois de ler o poema não dá vontade de afagar o papel e acariciar o lápis.

O Eduardo Roseira mantém um outro blog, Palavras vivas – Stand up poetry, profusamente ilustrado, onde nos dá conta da sua actividade de divulgador de poesia. Visitem-no.