domingo, 10 de julho de 2011

Entre ria e mar

Fotografia da Costa Nova nos anos 50/60 do séc. passado.


Por isto ou por aquilo cá estou há quase mês e meio entre céu, ria e mar. No meu sítio de eleição desde criança. Um sítio onde posso movimentar-me livremente, onde, se quiser posso andar descalço, em calções ou em tronco nu. Um sítio onde alguns me conhecem, onde eu conheço alguns, onde outros me vêem passar e eu os vejo passar, conheço-lhes as caras, conhecem-me as caras, mas para eles eu não existo, e eles não  existem para mim. Mas desta vez, entre ria, céu e mar, por isto ou por aquilo, a minha liberdade é limitada. Estou mais tempo com a ria do que com o mar. Mas tenho esperança que um dia destes a liberdade plena voltará. E então poderei livremente gozar dos prazeres da ria e do mar. Porque a Costa Nova é um lugar aprazível, mesmo quando sujeito às frequentes nortadas. Merece que a estimemos e gostemos dela. Eu faço-o desde menino.
Acabemos então este texto com um poema do poeta e dramaturgo e mais não sei o quê, brasileiro, Millor Fernandes. Poema que suponho foi publicado há alguns anos, no suplemento Pif-Paf, do extinto Diário Popular.

Poeminha de Louvor ao Strip-tease Secular

Eu sou do tempo em que a mulher
nem mostrava o tornozelo;
que apelo!

Depois, já rapazinho
vi as primeiras pernas de mulher
por sob a curta saia;
que gandaia!

A moda avança,
a saia sobe mais,
mostrando já joelhos
lupercais!

As fazendas com os anos,
se fazem mais leves,
e surgem figurinhas, pelas ruas,
mostrando as lindas formas quase nuas.

E a mania do sport
trouxe o short.

O short amigo,
que trouxe consigo,
o maiô de duas peças.

E logo, de audácia em audácia,
a natureza, ganhando terreno,
sugeriu o biquini,
o maiô, de pequeno, ficando mais pequeno
não se sabendo mais,
até onde um corpo branco,
pode ficar moreno.

Deus, a graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!



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